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Centro de Controle dos Pares de Nervos Cranianos Visuais
O terceiro par de nervos cranianos, conhecido como nervo oculomotor (III par), possui um centro de comando que incluí o núcleo de Perlia, o núcleo de Edinger-Westphal e o núcleo principal lateral.
10/3/2010 - 10:50
O terceiro par de nervos cranianos, conhecido como nervo oculomotor (III par), possui um centro de comando que incluí o núcleo de Perlia, o núcleo de Edinger-Westphal e o núcleo principal lateral. Eles estão localizados na porção superior do mesencéfalo1 abaixo do aqueduto de Sylvius e do colículo superior. O núcleo de Perlia está centralmente localizado e controla também sinergicamente a acomodação e a convergência. O par de núcleos de Edinger-Westphal está localizado entre o núcleo de Perlia, realizando o controle da constrição pupilar (parassimpática).
 
O núcleo principal lateral contém um núcleo para cada músculo extrínseco com ajuda do III par: que são os músculos elevadores, retos superiores, retos mediais, retos inferiores, e oblíquos inferiores. Na sua trajetória as fibras nervosas saem do mesencéfalo para a borda superior da ponte2, passam abaixo do trato óptico e entram nas paredes dos seios cavernosos, e após entram na órbita, pela fissura orbital, quando se dividem na ramificação superior e inferior.
 
O núcleo de quarto nervo craniano, conhecido como nervo troclear (IV par) está localizado inferiormente ao núcleo lateral posterior do III par, por causa do nível de separação no quarto nervo, no mesencéfalo mais exatamente na ponte. As fibras que emergem do IV par, passam dorsalmente através da área do véu medular anterior. Por isso qualquer trauma nesta área, pode resultar em paresia bilateral superior oblíqua. Essas fibras saem ao lado do lobo temporal, passando medialmente na fossa, e entra no seio cavernoso. Entram na órbita através da fissura orbitária superior e sai medialmente para inervar o músculo oblíquo superior.
 
O sexto nervo craniano, conhecido como nervo abducente (VI par) está localizado na ponte sobre o piso do quarto ventrículo. Isto é, repousando medialmente no núcleo vestibular, e no centro da conjugação horizontal do olhar. O nervo cursa ventralmente em uma associação íntima com o núcleo do sétimo nervo, que está mais lateral. Ele deixa a ponte por cima da dura-máter3 para fora do processo clinóide posterior4. O nervo passa a frente da parede do seio cavernoso e entra na órbita pela fissura orbitária superior, inervando o músculo reto lateral.
 
O quinto nervo, conhecido como nervo trigêmeo (V par), é o mais largo dos nervos cranianos, e é considerado tipicamente como um nervo espinhal. O núcleo é muito longo, estende-se da ponte abaixo da medula, e tem uma rota de trajetória específica sensorial e uma motora. As duas porções do V par nascem juntas da superfície lateral da ponte e passa diretamente à frente dentro da fossa posterior. O nervo atravessa a dura-máter, abaixo e juntamente com a margem do tentório do cerebelo e emerge para fora na camada plexiforme principal, vindo da borda plexiforme do gânglio seminular gasseriano5, que é um gânglio sensorial, do V par que corresponde à raiz ganglionar do nervo espinhal.
 
O gânglio gasseriano, está no meio da fossa ao lado de duas camadas de dura-máter, próximo da porção petrosa do osso temporal. A raiz motora do V par possui conexão com o gânglio. Está localizado na superfície profunda, cruzando lateralmente com a terceira divisão trigemial, e eventualmente ao suplemento do sexto músculo mastigatório. Na borda anterior ganglionar a porção sensória do nervo divide-se em três ramificações: oftálmica, maxilar e mandibular. A ramificação oftálmica (via aferente do seio cavernoso) entra na fissura orbitária superior, possuindo divisões em três ramificações.

1.Nervo lacrimal, com suplementos para a glândula lacrimal.
2.Nervo frontal, que passa a frente e ao lado do teto da órbita e o levantador, onde suas ramificações sensórias são responsáveis pela sensibilidade da pele das pálpebras e da sensibilidade da conjuntiva.
3. Nervo nasociliar, que é o nervo que inerva sensorialmente a córnea, íris, músculos ciliar e o músculo dilatador da pupila.

A divisão da porção maxilar é responsável pela sensação das pálpebras inferiores e pelas porções mediais e laterais da pálpebra superior, saco lacrimal e nariz. A divisão mandibular feita por duas raízes superiores, a porção sensorial vem do gânglio gasseriano, e a porção motora da raiz de trigêmio que vão ser responsáveis pelos músculos mastigatórios. O nervo mandibular dá o suplemento da via dolorosa e as sensações calóricas nos dentes, gengiva, mandíbula e pele da região temporal, lábios inferiores, parte inferior da face bem como os músculos da mastigação e da membrana mucosa e aos dois terços inferiores da língua.
 
A via simpática se origina no centro cilioespinhal  entre o sexto segmento cervical e o quarto segmento torácico da coluna vertebral. As fibras passam sobre o gânglio cervical superior, onde ocorrem as sinapses. Desta parte, as fibras pós-ganglionares acompanham a artéria carótida externa, em direção a pele da face. As outras fibras pós-ganglionares passam intracranialmente, formando dois plexos inter-relacionados em volta da artéria carótida interna.
 
As fibras que emergem da pupila vindas do plexo da carótida, vão para os finos filamentos do gânglio gasseriano, e a divisão da junção oftálmica do V par, e passa a frente da via das ramificações ciliares nasais para dois nervos ciliares longos, por meio da esclera, perto do nervo óptico, e entra no espaço supra coroidal para inervar o músculo dilatador da íris. Outras fibras vindas do plexo carótido e acompanham o III par e suprem os músculos da pálpebra superior e inferior (músculos de Müller). Interrupções na via simpática torácica ou intracranial são resultantes da síndrome de Horner, que apresenta a tríade ptose, miose e anidrose6.

Prof.Leandro Rhein
Pós Doutorando em Sistemas Neurais-USP

Notas
1. O Mesencéfalo também compreende o tectum e os pendúnculos cerebrais.
2. A Ponte faz parte do SNC que se situa entre a medula oblonga e o Mesencéfalo, superior ao cerebelo.
3. A dura-máter é a mais externa, mais resistente e mais fibrosa das 3 meninges que cobrem o cérebro e a medula espinhal; chamada também de pachymeninx.
4. O processo clinóide posterior é composto de 2 tubérculos encontrados no ângulo superior de cada lado do dorsum sellae do osso esfenóide, e é responsável pela fixação ao tentório do cerebelo.
5. Também conhecido como gânglio trigemial.
6. A anidrose ou hidroschesis, é a ausência ou deficiência de sudorese.

Fonte: Prof. Leandro Rhein
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COMENTÁRIOS

16/03/2010

O titulo está errado. Os nervos 3,4 e 6 não são nervos visuais. São nervos para os musculos motores dos olhos. O 2 é o visual, como todos sabemos.

Enviado por: Aldo Goncalves

10/03/2010

Nossa Prof Leandro



Parece até uma "colinha" da faculdade... Não me leve a mal, mas este artigo é perfeito.

Eu, que não sou um exemplo de aluna, sempre tive dificuldade de entender neurofisiologia. Esta matéria está perfeita! Não é a toa que seu nome é muito respeitado no Sul/Sudeste.

Enviado por: Vera Cristina

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