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Leandro Luiz Rosa é o entrevistado do Mês
O portal Opticanet abre o ano de 2009 com uma entrevista especial...
23/12/2008 - 18:43

Nosso entrevistado é Leandro Luiz Fleury Rosa, 39 anos, Presidente do SINDIÓPTICA-GO e Coordenador da Câmara Brasileira do Comércio de Produtos e Serviços Ópticos (CBÓptica/CNC).  Leandro Luiz é um daqueles personagens da vida que vira referência, uma pessoa que batalha por ideais apaixonadamente. Um exemplo de profissional que cresceu no meio Óptico e desde pequeno sabe o quanto esse segmento precisa de bons profissionais e bons exemplos. Sendo assim, especializou-se no ramo, e hoje é além de óptico e empresário do segmento, é especialista em lentes de contato (Fellow da International Association of Contact Lens Educators - IACLE), administrador de empresa com pós graduação pela FGV e MBA, professor de administração e óptica e consultor de empresas.

 

Como podemos ver, seu currículo é de dar inveja, mas não pára por aí: já deu aulas de óptica em instituições especializadas, como o SENAC e Colégio Nacional de Óptica e Optometria (CNOO) e também aulas de administração financeira e estágio na Universidade Católica de Goiás. Atualmente ministra cursos na área de contatologia, além de dedicar-se a sua empresa e aos trabalhos exigidos pela CBÓptica/CNC e SINDIÓPTICA.  "Meu início profissional no setor óptico se deu na empresa que atualmente sou proprietário, uma óptica de pequeno porte, familiar, fundada em 1962 por meu pai, Joaquim Rosa Filho, que foi um dos pioneiros da óptica em Goiás. Aprendi o ofício com ele ainda na adolescência, gostei e desde então me dedico integralmente à óptica. Tenho uma grande satisfação em trabalhar nessa área"afirma com orgulho Leandro Luiz.
 

 

Depois de conhecermos melhor o perfil desse profissional da óptica, veja na íntegra a entrevista que ele concedeu ao Portal Opticanet:

 

2) Na CNC e na Câmara, quais são os projetos que ajudarão as empresas de ópticas no Brasil?

 

Em primeiro lugar, é preciso destacar a origem dos trabalhos da CBÓptica/CNC. Todos os seus membros,  presidentes de sindicatos, empresários, muitos dos quais temos amizade de longa data, formam um grupo de trabalho excepcional, coeso, em busca do melhor para as ópticas do Brasil. Decidimos em conjunto os rumos de nossa câmara. A visão da câmara é ser uma parceira forte dos empresários, em especial os de pequeno porte. Devemos nos aproximar de todas empresas de óptica e oferecer serviços que as ajudem em seu desenvolvimento,  profissionalização e fortalecimento.

 

É importante dizer que contexto está inserido nossa câmara. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é a maior entidade do setor terciário (comércio) do país e a  CBÓptica/CNC é uma das poucas câmaras existentes na confederação. Ao todo existem quase mil sindicatos de comércio em nosso país, todos vinculados à CNC. Esses sindicatos representam as empresas do comércio, dos mais variados segmentos, entre os quais os SINDIÓPTICAS. Os sindicatos compõem as Federações de Comércio Estaduais, que por sua vez fazem parte da CNC.  Nossa Câmara é um órgão consultivo da Presidência da CNC e todas suas iniciativas são por ela avaliadas e apoiadas. Portanto a CNC, que tem se dedicado ao fortalecimento do comércio, também exerce importante papel no setor óptico. A CNC possui duas sedes: uma no Rio de Janeiro e outra em Brasília.
 
Administra nacionalmente o SESC e SENAC e possui diversos departamentos em sua estrutura organizacional: Diretoria, Secretaria Geral,  DJ(Divisão Jurídica), DS(Divisão Sindical), DE(Divisão Econômica), ASCOM(Assessoria de Comunicação), CCBC (Coordenação das Câmaras Brasileiras de Comércio), APEL(Assessoria Parlamentar, Executiva e Legislativa), entre muitas outras. São centenas de colaboradores que compõem a estrutura da CNC, além de alguns Consultores ligados à Presidência Entre eles destacamos o ex-ministro da Fazenda Ernane Galvêas, o ex-ministro Bernardo Cabral, Arnaldo Niskier, Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da CNC e ex-diretor do Banco Central e entre outras personalidades expressivas.

 

Sobre os projetos da CBÓptica/CNC em favor das ópticas podemos destacar:

 

1) OPTO-SESC - Sistema de atendimento primário da visão, direcionado ao trabalhador do comércio, cujo funcionamento se dá em unidades móveis que se deslocam às regiões onde não existem atendimentos na área da visão. Realiza os exames de vista e fornece os óculos de grau através da rede credenciada previamente credenciada.

 

2)VISÃO BRASIL SESC SENAC - É algo similar ao OPTO-SESC, porém suas atividades ao invés de serem realizadas em unidades móveis, são desempenhadas em unidades fixas devidamente preparadas para esses exames. Da mesma forma os óculos serão fornecidos pela rede credenciada, fortalecendo as ópticas. Os dois projetos pretendem em sua fase avançada, atender 90 milhões de pessoas em todo país.

 

3)AÇÃO LEGAL - É um projeto que visa fortalecer a regulamentação do setor óptico. Existem leis sobre óptica que não são cumpridas assim como existe a demanda para criação de outras que atendam aos interesses de nosso setor. Diversas ações estão em andamento para melhorar o contexto legal da óptica.

 

4) FORTALECIMENTO DO VAREJO - Diversos projetos como automação comercial, não tape o sol com a peneira, central de compras, etc. estão sendo trabalhados para incrementar a atuação das pequenas empresas, buscando seu fortalecimento e sua longevidade.  

 

Fale-nos do Projeto Nacional "Não tape o Sol com a peneira"...

 

Esse projeto foi inicialmente aplicado no Rio Grande do Sul pelo SINDIÓPTICA-RS. Tivemos uma apresentação na CBÓptica/CNC feita por seu idealizador, o especialista em marketing e profissional da comunicação Sr. Márius Quiroz, que chamou a atenção de todos os membros da câmara. Realmente um projeto inovador cujos resultados podem incrementar significativamente a venda de óculos de sol nas ópticas, apesar de não ser uma campanha comercial.

 

O "Não Tape o Sol com a Peneira" é uma iniciativa, um programa de conscientização coletiva para os problemas ligados à visão decorrentes da ausência de uma proteção efetiva contra os efeitos maléficos das radiações ultra-violeta. Não é apenas uma campanha de promoção e venda de óculos de sol. Sua abrangência é bem maior, e visa levar informações à sociedade em geral, aos gestores públicos, autoridades sanitárias, escolas, órgãos públicos, empresas privadas, etc. sobre os problemas visuais provocados pela exposição excessiva ao sol. A partir daí, há todo um trabalho de direcionamento sobre a importância de usar óculos de sol. Agregado a isso, há também o detalhamento que os óculos de sol piratas e os provenientes de camelódromos, ou seja, os óculos de sol sem qualidade, não desempenham a proteção mínima necessária contra os malefícios de raios solares. E por isso é um projeto que combate também o comércio irregular e os óculos sem qualidade. Muito interessante e útil a todos nós ópticos.

 

O projeto "Não tape o sol com a peneira" já foi incorporado nos planos de trabalho da CBÓptica/CNC e atualmente está em fase de desenvolvimento para as ações do ano que vem.

 

Como você vê o mercado óptico no Brasil?

 

As potencialidades de nosso mercado são gigantescas. Temos um grande contingente de brasileiros que não recebe atenção visual e há uma grande demanda a ser suprida. Segundo pesquisa recém divulgada da Cátedra UNESCO de Saúde Visual, há um déficit de profissionais em saúde visual em nosso país. São considerados profissionais de saúde visual os optometristas, os oftalmologistas, os ópticos, enfermeiros oftalmológicos e os assistentes. Além da falta, há igualmente uma péssima distribuição de profissionais em nosso país. Enquanto nos EUA existem 37 profissionais da área de saúde visual para cada 100.000 habitantes, no Brasil esse número situa-se entre 5 e 8 profissionais, demonstrando que estamos bem longe do adequado. Na Espanha o índice é de 33 profissionais para cada 100.000 habitantes. 

 

Há necessidade de investimento em formação profissional. E não me refiro aos profissionais médicos, pois segundo o entendimento das próprias entidades representativas da oftalmologia, há um número de médicos suficientes para atender à demanda. E concordo com isso. Precisamos é formar mais optometristas, contatólogos, técnicos ópticos. O mercado óptico é carente desses profissionais.

 

Outra informação que considero relevante é o papel das ópticas junto à sociedade. As ópticas nunca foram consideradas simples estabelecimentos comerciais. Têm relevante papel na preservação da saúde visual, mas boa parte de nossas empresas ainda não se preparou para assumir essa responsabilidade à altura. Diversas ópticas não possuem RT (Técnico Óptico), equipamentos mínimos indispensáveis à atividade óptica, assim como espaço e ambiente adequados, entre outros itens obrigatórios ao seu funcionamento. Dessa forma contribuem para disseminação de uma imagem diferente do verdadeiro papel que têm. As entidades do comércio estão mudando essa realidade com a sensibilização junto às autoridades competentes para que essas exigências sejam intensificadas, a bem de todo mercado.

 

Por outro lado, o mercado óptico vem sofrendo com inúmeras concorrências desleais. E na maior parte dos casos, refere-se a concorrências provenientes de estabelecimentos que exercem o comércio irregular de produtos ópticos. Não são, portanto, concorrência em regime de igualdade entre duas empresas, ou seja, uma concorrência saudável ao próprio mercado. Longe disso. Os camelódromos, boutiques, postos de gasolina, lojas de departamento, lojas esportivas e até clínicas médicas e hospitais oftalmológicos comercializam produtos ópticos de forma irregular. Promovem uma grande bagunça ao mercado, que nos últimos tempos vem se acentuando. O resultado disso é o empobrecimento do setor óptico formal, a criação de subempregos, a eliminação de empregos formais (dentro das ópticas regulares), o aumento da pirataria, sonegação fiscal, entre outros aspectos nocivos ao mercado. Temos que buscar valorizar as empresas formais e combater a ilegalidade, que prejudica a todos. Esses são alguns dos focos das ações da CBÓptica/CNC.

 

5)Durante o 24º Seminário de Óptica no SENAC Tiradentes, em São Paulo, você citou que a proposta dos seus projetos era de mostrar um novo cenário para as mudanças que estão por vir. A que mudanças você estava se referindo?

 

A criação da Câmara Brasileira do Comércio de Produtos e Serviços Ópticos (CBÓptica/CNC) visa exatamente combater os problemas do setor óptico varejista, valorizando a empresa regular e promovendo as boas práticas de comercialização entre todos os atores que atuam nesse setor.

 

O que a CBÓptica/CNC deseja é que haja uma isonomia no comércio de produtos ópticos (lentes de contato, óculos de sol, armações, lentes oftálmicas) entre outros. Ou se exige a lei para todos, ou exime-se todos do mercado a cumpri-la. Há algum tempo são aplicados dois pesos e duas medidas para as questões ópticas. A CBÓptica/CNC aliada aos SINDIÓPTICAS estão mudando essa realidade. Dessa forma o cenário desolador que até pouco tempo atrás era tido como irreversível no setor óptico, adquire um novo contexto com as ações da câmara. O cenário mudou.

 

Para ilustrarmos esse novo cenário do setor óptico, é sabido que muitas lentes, em especial as lentes premium, que possuem melhor tecnologia e benefícios maiores aos consumidores, eram proibidas de serem adquiridas pelas ópticas. A CBÓptica/CNC se reuniu com todos os fabricantes e importadores de lentes de contato sobre essa questão, e mediante um consenso das partes, ficou acertado que não se restringe mais o acesso de qualquer lente pelas ópticas. Estamos finalizando um Manual de Boas Práticas de Comercialização de Lentes de Contato, que está em fase final de revisão e em breve orientará todo mercado sobre os procedimentos mínimos a serem adotados pelas empresas que se dedicam às atividades com lentes de contato.

 

Da mesma forma, estamos elaborando um plano de trabalho em âmbito nacional de treinamento destinado às empresas e estabelecimentos varejistas que atuam na área de contatologia, nos níveis básicos (para equipe de venda), intermediário (para técnicos ópticos e contatólogos) e avançado (para optometristas com formação superior). O SENAC DN (Departamento Nacional), através de sua ampla rede de EAD (Ensino à Distância), uma das maiores do Brasil está estudando nossa proposta, que pretende ser realizada em parceria com os SINDIÓPTICAS, IACLE e algumas universidades. Um grande projeto que está sendo elaborado na área de educação em contatologia.

 

Outras ações estão sendo desenvolvidas e em breve anunciaremos ao mercado. Tais iniciativas, no entendimento da CBÓptica/CNC estão alterando radicalmente o cenário do setor óptico nacional. Mas é importante que todos participem desse processo.  

 

6) E como você vê o futuro do varejo óptico no Brasil?

 

Acredito que o futuro do setor óptico no Brasil é repleto de oportunidades não apenas às grandes e médias ópticas, mas principalmente as de pequeno porte. Há uma necessidade bem grande de especialização por parte das ópticas, em especial as pequenas.

 

O grande problema dos ópticos de hoje, o comércio informal, se tornará pequeno com a entrada de empresas varejistas globais, que possuem forte atuação internacional. É bem provável que a crise reduza a velocidade da chegada desses grupos no Brasil. Mas essa tendência é irreversível e o setor óptico tem que se preparar bastante para essa situação.

 

Temos que nos preparar fortemente para esse cenário, que já é realidade em outros setores a exemplo do farmacêutico que está sendo dominado por empresas de grande porte. Há muito  que se fazer para colocarmos as pequenas empresas em condições de competitividade com essas empresas. E acreditamos que temos todas condições para isso através da CBÓptica/CNC. 

 

O futuro será favorável à empresa e ao profissional que se especializar. As atividades de optometria, que geram polêmica em todo Brasil, mas vem avançando fortemente nos últimos anos através de suas entidades representativas, significam uma grande oportunidade para o desenvolvimento do setor óptico. O mesmo, podemos dizer da contatologia e da especialização em dispensação de armações e óculos, conhecendo em profundidade produtos e técnicas de vendas dos mesmos. O setor óptico em geral desenvolve o "básico". Muitas empresas têm excelentes produtos, mas serviços a desejar. Outras têm excelentes profissionais, mas processos focados no cliente pouco desenvolvidos. A busca pela excelência na prestação de serviços ao cliente é o grande diferencial que o consumidor deseja.

 

Há muitas empresas que ainda procuram fazer parcerias com médicos oftalmologistas, que oferecem produtos de baixa qualidade (por que teoricamente dão maior lucro), que não têm um programa de excelência no atendimento ao seu cliente, que enganam seus consumidores, através de informações falaciosas e troca de produtos, diferentes dos que foram apresentados por ocasião do fechamento da venda. São atividades que mesmo que sejam praticadas em decorrência de ser algo "comum" ao mercado ou como uma forma de garantir a sobrevivência da empresa, que passa por inúmeras dificuldades, certamente a colocará em uma situação insustentável a curto e médio prazo. Essas práticas, ainda que existam, não deve ser aplicada por quem deseja estar no mercado nos próximos anos.

 

Portanto acredito que o futuro estará a favor do profissional ou empresário que estiver se preparando, investindo em conhecimentos, práticas inovadoras. E é justamente isso que estamos desenvolvendo através de projetos em parceria com instituições conceituadas como SENAC, SESC, SINDIÓPTICAS, SINIOP, SEBRAE, CNC, IACLE, CBOO, IBO, etc. Dessa forma esperamos melhorar o desempenho das empresas de pequeno porte a longo prazo, criando condições de sobrevivência nesse mercado tão competitivo. 

 

Você citou anteriormente da importância da reunião que te trouxe a São Paulo na semana passada, sobre o SINIOP, quer falar mais sobre isso?

 

O Sindicato Nacional da Indústria Óptica (SINIOP) e a Câmara Brasileira do Comércio de Produtos e Serviços Ópticos (CBÓptica/CNC) desenvolverão alguns projetos em conjunto em defesa do setor óptico. O SINIOP, que representa o setor secundário (fabricação) e a CBÓptica/CNC que representa o setor terciário (comércio) iniciarão trabalhos em conjunto para combate à pirataria e comércio irregular. Da mesma forma estão trabalhando em conjunto para redução do IPI de armações e óculos, criação de leis em favor do setor óptico, certificação de produtos, entre outros. O trabalho conjunto demonstrará mais força às autoridades do governo em vista da representatividade do setor assim como sinalizará ao mercado da importância dessa parceria. 

 

 

8) Existe alguma mensagem que você queira deixar para os nossos internautas, que são profissionais da óptica?

 

A educação continuada e de boa qualidade é a única forma do profissional se destacar através de seus serviços. Ela não apenas agrega conhecimento mas promove o reconhecimento por parte de seus clientes, destacando-o perante a multidão.  Invista sempre em bons cursos de aperfeiçoamento e especialização. Atualize sempre seus conhecimentos. É o melhor capital de um profissional.

É importante que todos os profissionais se agreguem em suas instituições representativas. Assim como os empresários. Apenas com a união em torno de propósitos comuns, é que conseguiremos reverter o estado crítico que o setor óptico se encontra. 

Fonte: Redação Opticanet

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