A epífora no bebê ou na criança de baixa idade é um motivo freqüente de consultas sejam elas ao Pediatra ou não. O sistema lacrimal da criança, como no adulto, contém duas partes: as glândulas lacrimais situadas no quadrante súpero-externo da órbita, que garantem a secreção do compartimento aquoso do filme lacrimal, ou seja, a maior quantidade da constituição da lágrima, e as vias lacrimais excretoras, que comportam os meatos, os canalículos lacrimais, o canalículo comum, o saco lacrimal e o ducto nasolacrimal.
As afecções das vias de excreção representam a quase totalidade das patologias do sistema lacrimal da criança, essencialmente a obstrução naso-lacrimal do bebê. O exame visual na criança de mais de 3 anos é semelhante ao do adulto. Após avaliação da acuidade visual, analisaremos rapidamente o estado do segmento anterior do olho. Se a criança cooperar, o exame é realizado à lâmpada de fenda (exame de biomicroscopia), senão, ele pode ser feito com a ajuda de lentes de aumento (como a Lâmpada de Burton). Mas, no quadro de epífora (lacrimejamento), será baseado, sobretudo, na análise do filme lacrimal, do canto interno do olho e da borda palpebral. A existência e o aspecto de pontos lacrimais serão particularmente determinados (estenose, aberturas, ectrópio [eversão das pálpebras] e dos pontos lacrimais inferiores).
Um ponto lacrimal normal é aberto e, se o restante da via lacrimal é permeável, ele se esvazia de acordo com a atividade da bomba lacrimal. Se o ponto lacrimal inferior está obstruído, sobretudo se o líquido que ele contém apresenta células em suspensão, temos praticamente certeza de que existe um problema a investigar. No nível da corrente lacrimal que corre ao longo das pálpebras, examinaremos igualmente sua eventual obstrução, e a existência de células. O lago lacrimal é examinado da mesma maneira (obstrução e secreções). Buscaremos uma curvatura no nível do saco lacrimal em favor de uma clara dilatação desse último, verificando se há refluxo muco-purulento à pressão do saco. Uma dilatação do saco ou um simples refluxo muco-purulento, mesmo mínimo, irá impor uma dacriocistorrinostomia (DCR) na criança maior, como é o caso do adulto, pois uma sonda definitivamente não resolverá o problema e, pior, poderá ocasionar uma dacriocistite.
Um desvio do globo ou uma curvatura ultrapassando em altura o nível do tendão do canto interno do olho deve nortear a procura de outra causa como, por exemplo, uma etmoidite supurada, ou tumor orbitário. A exploração instrumental das vias lacrimais na criança de mais de 3 anos superpõe-se à do adulto, a uma sólida reserva: a criança raramente coopera a partir do momento que um objeto aproxima-se do seu olho. Qualquer coisa que se faça, essas explorações instrumentais são sempre um pouco dolorosas.
O bebê, ou a criança de menos de três anos de idade, é quem mais freqüentemente é conduzido pelos pais as consultas, devido lacrimejamento congênito claro, geralmente dividido em episódios de super-infecção: a conjuntivite lacrimal, com mais freqüência unilateral, portanto muito característica, mas as vezes bilateral, mas raramente por episódios de dacriocistites agudas ou por um traumatismo que atinja o sistema lacrimal. A imperfuração congênita do ducto nasolacrimal é a patologia lacrimal mais freqüente no bebê ou na criança de baixa idade.
O exame lacrimal do bebê baseia-se, então, sobre o interrogatório dos pais, na inspeção "a olho nu" e, enfim, no encaminhamento ao Oftalmologista para a realização de sondagem.
Prof. Leandro Rhein
ortizrhein@brazcubas.br