14/10/2013 08:31
Optometria Avançada (Parte 1)
  
Edição 001 - Semana de 07/10/2013 a 13/10/2013

É com grande contentamento que apresento a vocês esse novo espaço aqui no Opticanet, dedicado a Optometria. Esperamos que aqui seja um canal de conhecimento, aprofundamento e acima de tudo prazer. Nossa ideia é puramente acadêmica, iremos discutir novas tecnologias, técnicas e atualidades. Não iremos representar partidos ou ideais políticos, isso cabe a outros meios, nossa ideia é levar ao optometrista um conhecimento real do que ocorre por aí. Uma atualização rápida, mas eficiente; toda semana uma nova coluna com novas atualizações. Para isso contaremos com a ajuda dos professores e alunos dos cursos de Pós-graduação da UBC. Conto com vocês nessa nova jornada!

Prof. Leandro Rhein
 
Discutido em Sala...

Aumento da Pressão Intracraniana como causadora do Papiledema

Wagner Vasconcelos Luz - Aluno de Pós-graduação em Optometria Avançada

As informações que chegam ao cérebro, basicamente na área V1 utilizam o nervo óptico como uma espécie de ponte de informação, este trajeto retinocortical recebe o nome de "vias ópticas primárias". O aumento da pressão intraocular (PIO) pode causar danos ao nervo óptico, essa alteração patológica, conhecida como glaucoma é perigosa e silenciosa, causando inclusive a perda da visão. A forma de detectar essa anomalia seria através da oftalmoscopia onde analisamos a escavação entre outras características suspeitas. Com a tonometria é possível aferir a pressão intraocular, já a campimetria, determina se o campo visual está sendo comprometido; a junção destes exames é primordial para um diagnóstico preciso do glaucoma (Kanski, 2007).

Entretanto quando recebemos queixas de pacientes relacionados a dores de cabeça acometidas no período da manhã e sua intensidade é crescente associada a náuseas, vômitos e zumbido no ouvido há de se suspeitar de aumento da pressão intracraniana. Devemos tomar cuidado com drusas impregnadas na cabeça do nervo óptico podemos confundir com irregularidade no disco óptico aparentando ser um edema papilar. (Rhein, 2013).
Para determinar o diagnóstico do edema papilar utilizamos o teste de acuidade visual, refração, movimentos oculares, teste de cores, campimetria, avaliação pupilar e oftalmoscopia. Lembrando que, o aumento da pressão intracraniana causa o edema papilar. (Spalton et al, 2006).

 Visão dupla, perda visual transitória geralmente bilateral que duram poucos segundos associado com mudanças na postura e cefaleia são sintomas característicos de um papiledema. Uma ligeira diminuição na acuidade visual pode acometer no estágio agudo quando temos alguma alteração macular associada (Kunimoto et al, 2007).
Quando o papiledema é bilateral e assimétrico as lesões que afetam o nervo óptico fazem com que ele se comprima devemos suspeitar de tumores intracranianos, no caso do meningiomas da goteira olfatória pode acometer atrofia óptica primária ipsilateral com edema contralateral (Dantas; Moreira, 2006).

REFERÊNCIAS:
DANTAS, Adalmir Morterá; MOREIRA, Ana Tereza Ramos. Oftalmologia Pediátrica. 2 ed. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 2006.
KANSKI, Jack J. Oftamologia Clínica: uma abordagem sistemática. 6 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
KUNIMOTO, Derek Y. (ed.) et al.  Manual das doenças oculares "Wills Eye Hospital": Ambulatório e Sala de Emergência, Diagnóstico e Tratamento das Doenças Oculares. 4 ed. Rio de Janeiro : Cultura Médica, 2007
SPALTON, David J. et al. Atlas de Oftalmologia Clínica. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda., 2006.
 

Neuroanatomia, Neurofisiologia e outros Blá blá blás 
Corpo geniculado Lateral - CGL

Prof. Leandro Rhein

O corpo geniculado lateral, a rigor, não é um núcleo, pois é formado de camadas concêntricas de substâncias branca e cinzenta. Recebe pelo tracto Óptico fibras provenientes das retinas homo e heterolaterais. Projeta fibras pela radiação óptica para a área visual do córtex, situada nas bordas do sulco calcarino.
o corpo geniculado lateral é um ralais para a via óptica, entre a retina e o córtex visual. Pode ser comparado com o tálamo em seu comportamento nas vias esteroceptivas da cabeça, tronco e membros. Assemelha-se a um ovóide colocado horizontalmente, cuja face interior está escavada para receber as fibras do trato óptico.

a projeção da retina no corpo geniculado lateral, em macacos, foi observada pela atrofia celular após lesões retinianas. A área macular do corpo geniculado lateral é representada por um setor retiniano, que é definidamente limitado aos dois terços caudais. Envolve todas as laminas celulares. As fibras da metade nasal da mácula sofrem decussação completa no quiasma, enquanto as da metade temporal permanecem do mesmo lado. Toda extensão das lâminas celulares no terço rostral do núcleo não participa da visão periférica.
 
Le Gros Clarck (1941 e 1949), estudando as conexões sinápticas, dentro do corpo geniculado lateral de macaco, evidenciou, claramente, a existência de seis camadas. Numerando  estas camadas, de dentro para fora, 1, 2, 3,4,5 e 6, as fibras do nervo óptico ipsilateral terminam nas camadas 2, 3 e 5, e as fibras contralaterais terminam nas camadas 1, 4 e 6.

Szentágothai (1962), em estudos com microscopia eletrônica, observou que as fibras do nervo óptico terminam no corpo geniculado lateral com sinapses axodendríticas, que estão, na maioria, longe do corpo celular. Corpos característicos, os gloméculados representam os principais locais sinápticos. A maioria das fibras terminais forma um glomérulos geniculados representam os principais locais sinápticos.

 A maioria das fibras terminais forma um glomérulo proveniente do nervo óptico; várias fibras terminam num glomérulo e dendritos dos neurônios do corpo geniculado lateral contribuem para o mesmo glomérulo. As terminações pré sinápticas, aparentemente não originadas do  nervo óptico, aí se encontram. Elas se originam, provavelmente, do córtex cerebral e de outras partes do cérebro. As fibras eferentes não somente terminam nos glomérulos geniculados, mas também fazem contato sinápticos com o corpo dos neurônios do corpo geniculoado lateral.

 As fibras aferentes para o corpo geniculado lateral provêm, quase que totalmente, da retina. O núcleo dorsal recebe fibras visuais que constituem 80% da população  de fibras do nervo e tracto óptico. Fibras do córtex ou de outras partes do cérebro se perdem no corpo geniculado lateral (szentágothai, 1962).
As fibras eferentes representam os axônios das células nervosas das lâminas cinzentas, que constituem a radiação óptica ou tracto geniculocalcarino.
A função do corpo geniculado lateral é primariamente, servir como uma estação celular intermediária na via visual; de fato, é a única junção sináptica entre a retina ou estimulação elétrica do nervo óptico. O suprimento sanguíneo para o corpo geniculado lateral provém das artérias coróides anterior e posterior.
 
Dicionário de Síndromes e Termos de Interesse

Síndrome de AARSKOG.

É uma síndrome relacionada ao cromossomo X recessivo, caracterizada pelo hipertelorismo ocular, estrabismos secundários, narinas antevertidas, lábio superior largo, mãos pequenas e alterações genitais. É também conhecida como Síndrome de Aarskog-Scott, e como displasia faciogenital. É rara. Foi descrita pelo Pediatra Dagfinn Charles Aarskog.  

Síndrome de Aarskog: (a) e (b), alterações de interesse visual, (c) e (d): ordem sistêmica.
 
Vamos pesquisar?

Vocês conhecem o Sinal de Abadie? Na clínica optométrica com o que ele pode ser confundido?*
*Discussão sobre o tema no próxima edição da coluna
 
Artigo da semana

Nesse espaço iremos sempre sugerir a leitura de algum artigo cientifico, que não pode passar desapercebido .
http://hal.inria.fr/docs/00/78/36/74/PDF/RR-8217.pdf
Fonte: Prof. Leandro Rhein
Comentários ()

Seja o primeiro a comentar!

Nome:
E-mail:

* seu e-mail não será publicado.
Comentário:
Digite o código ao lado:
(gerar outro código)