A imagem final não é colorida, no sentido tradicional - ainda.
Mas o resultado já é melhor do que isso, pelo menos por dois motivos principais.
O primeiro é que os novos sensores permitem enxergar partes da cena que permanecem invisíveis aos sensores atuais.
A imagem mostra bem o detalhe da chama do isqueiro que o pesquisador está segurando. Na imagem infravermelha tradicional, à esquerda, a chama simplesmente não aparece, enquanto é vista claramente com o novo sensor.
A segunda vantagem está em que as frequências ressonantes dos materiais visualizados podem ser identificadas nesta faixa espectral.
Isto significa que uma simples câmera infravermelha poderá permitir a realização de espectroscopia em tempo real - a espectroscopia permite deduzir a composição química dos materiais a partir da radiação que ela emite.
"Quando processadas por algoritmos de processamento de imagens, aplicados sobre múltiplas bandas, a quantidade de informação gerada por uma única cena é tremenda," diz Razeghi.
Super rede tipo-II
Foram protótipos de câmeras infravermelhas que ajudaram a inspecionar a usina de Fukushima, depois do tsunami de Março de 2011, permitindo o registro das temperaturas internas.
Mas, até agora, os pesquisadores usavam uma liga (HgCdTe) que é cara demais e que não funciona para todos os comprimentos de onda infravermelha.
A equipe da professora Razeghi fez muito melhor com um semicondutor conhecido como super rede tipo-II, que é eficiente e muito mais barato.
A sensibilidade do novo sensor à temperatura, por exemplo, é altíssima, chegando a uma precisão de 0,015°C.
E as cores? Bem, um algoritmo adequado poderá facilmente dar um jeito nisso, agora que todos os objetos da cena estão visíveis e distintos.