As lentes ZEISS MyoCare desaceleram o avanço desse distúrbio visual que, se não controlado, pode levar à perda da visão devido a complicações oculares como rasgos, degeneração e descolamento da retina, edema na mácula (porção central da retina), catarata e glaucoma.
Para chegar a essa nova geração de lentes para óculos, a ZEISS criou e testou vários protótipos em conjunto com o Wenzhou Medical University Eye Hospital, na China, um dos mais avançados centros de pesquisa em oftalmologia do mundo. "O resultado foi um portfólio com duas lentes, pensadas para acompanhar as alterações na anatomia facial da criança conforme o crescimento, como o tamanho e distância entre as pupilas. Recomendamos a ZEISS MyoCare, para a faixa de 6 a 10 anos, e a ZEISS MyoCare S, para 10 a 17 anos. Somos a única empresa no mercado com lentes específicas para cada faixa etária", conta Paula Queiroz, diretora de marketing da ZEISS Vision no Brasil.

A miopia causa dificuldade para enxergar de longe. Uma das origens desse distúrbio visual é o formato do globo ocular, que é mais longo do que o comum e, com isso, os raios de luz são absorvidos antes de chegarem na retina. Esse alongamento é chamado de crescimento axial. As lentes ZEISS MyoCare têm demonstrado eficácia na contenção do crescimento axial do olho em crianças de 6 a 17 anos com propensão à alta miopia.
Resultados preliminares de um ensaio clínico com 232 crianças entre 7 e 12 anos, em andamento no Wenzhou Medical University Eye Hospital, revelaram controle do alongamento (crescimento axial) do olho, um dos fatores responsáveis pelo surgimento e crescimento da miopia. Dentre as crianças que fizeram uso das lentes ZEISS Myocare, 16% não apresentaram crescimento axial do olho. Entre as crianças que utilizaram lentes corretivas convencionais, esse índice foi de apenas 7%.
Investimento na ciência
"Temos o compromisso de colher cada vez mais evidências científicas da efetividade das lentes ZEISS MyoCare. Por isso, elas estão passando por uma avaliação abrangente, com testes clínicos realizados em conjunto com renomadas instituições de pesquisa na Europa e China", destaca Paula Queiroz. Os resultados mais recentes de tais estudos foram apresentados no encontro anual da Association for Research in Vision and Ophthalmology, em maio de 2024.
Uma das bases para o desenvolvimento das lentes ZEISS MyoCare foi uma pesquisa de 10 anos. Em 2014, a ZEISS associou-se à LIFE Child, pesquisa global que monitora a saúde ocular em crianças, e à Universidade de Leipzig, na Alemanha, para observar, ao longo de 10 anos, o desenvolvimento refrativo em 1965 pessoas de 3 a 16 anos de idade.
O estudo surgiu da necessidade de elaboração de um método para prever a alta miopia e simular sua progressão futura, bem como de aprofundar os conhecimentos sobre o comportamento refrativo ocular em crianças caucasianas. Esse é mais um diferencial da ZEISS em relação à concorrência: as lentes ZEISS MyoCare possuem tecnologia fundamentada não somente em estudos com crianças orientais, mas também com ocidentais.
Como funcionam as lentes ZEISS MyoCare
A tecnologia C.A.R.E. (Cylindrical Annular Refractive Elements ou, em português, Elementos Refrativos Anulares Cilíndricos), desenvolvida pela ZEISS, alterna zonas de desfoque (embaçamento) e foco (visão nítida). Na superfície frontal da lente, existem microestruturas que formam padrões semelhantes a anéis, os quais promovem o embaçamento. A correção da miopia se dá na zona central e nas regiões entre os anéis. "Essa configuração expõe a retina, simultaneamente, a planos focais competitivos. A desfocagem envia um sinal de 'pare' à retina, que reduz a probabilidade de o olho sofrer crescimento não fisiológico e, dessa forma, retarda a progressão da miopia. Ao mesmo tempo, as áreas livres de anéis corrigem a miopia e permitem a visão nítida", explica o oftalmopediatra Eduardo Silva, diretor do Centro de Responsabilidade Integrada (CRI) de Oftalmologia Pediátrica do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, em Portugal.
O cenário da miopia no Brasil e no mundo
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a miopia uma das prioridades globais em saúde ocular. A agência prevê que, até 2050, esse distúrbio visual irá atingir metade da população mundial, ou seja, cerca de 4,7 bilhões de pessoas. Destas, 938 milhões (10% da população mundial) terão alta miopia (maior que 5 graus), a qual é fator de risco para a perda da visão, pois pode gerar complicações oculares como rasgos, degeneração e descolamento da retina, edema na mácula (porção central da retina), catarata e glaucoma. As estimativas da OMS para o Brasil apontam que, até 2040, haverá um aumento de 84.8% no número de pessoas com alta miopia, passando de 6,6 milhões para 12,2 milhões.
Entre a população asiática, a prevalência da miopia é tão alta que alcança proporções epidêmicas, atingindo de 72% a 81% dos estudantes da escola secundária (11 a 17 anos). Destes casos, 10% poderão dar origem à alta miopia. Na Europa, o índice é menor mas, ainda assim, preocupante: 20 a 30% dos indivíduos na mesma faixa etária são afetados. "Estamos à beira de uma pandemia refratária", alerta Eduardo Silva.
"Temos observado um início cada vez mais precoce da miopia, o que implica um risco significativamente maior de desenvolver alta miopia", afirma Marcela Barreira, oftalmopediatra pela UNIFESP e neuroftalmologista pela USP. "Para evitar esse desfecho, é necessário identificar o erro refrativo na infância, em seus primeiros estágios. Assim, podem ser empregados recursos terapêuticos que visam desacelerar o seu avanço", adverte a médica. Silva concorda e ressalta que a detecção precoce depende da conscientização dos pais. "A maioria desconhece a importância de gerir o problema para evitar complicações futuras", lamenta.
A causa da miopia é, em sua maioria, genética. Mas o estilo de vida também contribui para seu surgimento e, até mesmo, para acelerar a sua progressão. Hoje, as crianças passam menos tempo em ambientes abertos. Isso é prejudicial porque as atividades externas estimulam a visão à distância. Além disso, a luz solar auxilia a produção de dopamina, hormônio que ajuda a controlar o crescimento axial do olho.
Por outro lado, crianças utilizam, cada vez mais cedo e por mais tempo, dispositivos eletrônicos como tablets e celulares. O uso excessivo de telas próximas aos olhos demanda muito de nossa visão de perto, deixando a de longe sem uso. Além disso, é cientificamente comprovado que a luz azul desses aparelhos é tóxica para a retina.