Dizem que os olhos são as "janelas da alma". Já os óculos são "as janelas dos olhos para o mundo". E as portas? Como podemos combinar com óculos? Pode parecer difícil, mas o encontro de uma jornalista brasileira com um engenheiro alemão conseguiu fazer esta combinação.
E esta é mais uma história fantástica que vou compartilhar com vocês por aqui.
O avanço da tecnologia proporcionou ao segmento óptico uma gama de possibilidades para produção de armações para óculos, em vários materiais. Na minha coleção de mais de 2 décadas como colecionador e usuário de óculos, já vi e usei modelos dos mais diversos materiais. Do tradicionalíssimo acetato Mazzucchelli italiano, até armações de alumínio, titânio e madeira.
E, falando em madeira, nas minhas pesquisas pelomundo óptico, descobri o casal Sandra e JörgZimmermann da HAYÔ. A jornalista e o engenheiro tinham uma necessidade, e um sonho,de produzir algo que resgatasse o sentido da vidae o da perenidade das coisas. E foi a partir dos óculos feitos com madeira de demolição que eles conseguiram tornar real este sonho.
Fabricar óculos com madeiras de demolição e contar a história vividas por aquelas portas e janelas, é o propósito da HAYÔ e dos seus criadores de objetos com significado.
"Queremos criar objetos com significado e isso vai além de resgatar e contar histórias já vividas. É a possibilidade de dar forma e voz a novas histórias, sempre na direção de um mundo mais equilibrado. Fazer uso de materiais e de processos que gerem o menor impacto ambiental possível. Construir uma cadeia com colaboradores, parceiros e consumidores pautada na transparência e no respeito. Priorizar qualidade ao invés de quantidade, fortalecendo o consumo consciente ao oferecer produtos sustentáveis e de longa duração."
Essas são as palavras e a essência do trabalho feito pela Sandra e o pelo Jörg, antes, jornalista e engenheiro. Agora, contadora de histórias e marceneiro.
"Reaproveitar madeiras nobres brasileiras, verdadeiros tesouros soterrados vivos por aí e transformá-las em óculos, é nossa forma de dar a elas uma segunda chance de existir. Confeccionar sem usar produtos químicos, nem de origem animal e batizar vários dos nossos óculos com nomes de pássaros brasileiros ameaçados de extinção, é também nosso jeito de lutar por uma segunda chance para o meio ambiente." declara Sandra.
E esta é a história fantástica da HAYÔ que tive a felicidade de descobrir e revelar para vocês. Uma história que segue alicerçada pela crença de que tudo merece uma segunda chance. E até o nome da marca tomou de empréstimo o vocábulo "HAYÔ", SOL em Patxohã, a língua dos indígenas Pataxós considerada quase morta e que luta pra sobreviver. Por fim, descobrimos as histórias vividas pelas madeiras resgatadas e as contamos por aí. Histórias conectam pessoas e conectados, temos mais uma chance de sermos melhores.
Fonte:
Coluna Overview da Revista Exclusive