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Artigo Artemir Bezerra / Retinoscopia x Refração Automatizada

Muitos Optometristas, atualmente, estão investindo na compra de auto-refratores.

Muitos Optometristas, atualmente, estão investindo na compra de auto-refratores. Isto suscita algumas discussões: 1. Os profissionais estão sendo "pressionados" por quem os contrata a adquirirem estes equipamentos? 2. Estão buscando apenas agilizar os atendimentos? 3. Desejam que seus atendimentos sejam parecidos com os dos oftalmologistas, já que a maioria destes só atendem com este recurso? 4.
 
É menos trabalhoso que a retinoscopia? 5. Querem apenas impressionar os pacientes, utilizando na divulgação dos atendimentos "EXAME COMPUTADORIZADO"? Se buscarmos com os próprios profissionais as respostas, fatalmente escutaremos de alguns que o equipamento automatizado é um recurso que agiliza o processo, outros defenderão que é mais fácil conseguir atendimentos quando se tem o equipamento, enfim, é por aí. 

Diante deste cenário, proponho a seguinte reflexão aos que defendem a agilidade: nossa preocupação primária é atender o maior número possível de pacientes por atendimento e, obviamente, ganharmos mais dinheiro, ou a proposta é de que o atendimento optométrico seja diferenciado, encantador para os examinandos? Nossa preocupação inicial por atendimento é quantitativa ou qualitativa? Com a resposta os Optometristas que defendem quantidade por atendimento. 

Leiam a seguir alguns trechos do Manual Prático de Retinoscopia, escrito por John M. Corboy: 

"... As máquinas eletrônicas não podem fazer mais do que um bom retinoscopista e, entretanto, geralmente fazem muito menos; elas podem, porém,  fazer a tarefa mais rápida. Quando o retinoscópio é inútil, por exemplo, nas opacificações do meio ou nas irregularidades da córnea, o mesmo acontece com esses dispositivos..."

"... Como um retinoscopista experiente gasta em geral apenas um minuto na retinoscopia e um tempo muito maior no refinamento subjetivo, os dispositivos eletrônicos não economizam muito tempo com a maioria dos pacientes. Além disso, até que os refratores automatizados sejam portáteis, baratos e livres de incômodos como um retinoscópio, haverá necessidade de retinoscopistas habilidosos. Em meu consultório experimentei todos os modelos e os achei desapontadores; eu os devolvi a todos em favor de um bom retinoscopista..." 

Como os leitores podem perceber, o uso do auto-refrator como único método para determinar a refração objetiva do paciente é questionável. Não estou questionando os avanços tecnológicos, mas sim, alertando os Optometristas, para que não se transformem em meros "apertadores de botão". A retinoscopia em faixa é o método objetivo mais eficaz que existe para determinar o poder dióptrico do olho. Nenhum equipamento automatizado, disponível no momento, fornece maior confiabilidade nos seus achados. 

Os Optometristas, adeptos ferrenhos do auto-refrator, cultuam na cabeça dos pacientes (principalmente os mais iletrados) de que o exame optométrico, ou simplesmente a prescrição da fórmula óptica, só é confiável com a presença do equipamento automatizado, até parecendo que este recurso eletrônico é mais relevante que o próprio profissional. 

Determinar a refração do olho com o sistema acomodativo em repouso (o que só pode ser feito, no Brasil, com drogas, pelos oftalmologistas) reduz os erros, principalmente em jovens hipermétropes e baixos astigmatismos na regra. No caso dos Optometristas, em função da impossibilidade de neutralizar a ação do sistema acomodativo com drogas, o índice de erros aumenta bastante e, como todos sabem, um refinamento perfeito depende inteiramente dos achados objetivos. Refração objetiva errada, refinamento mal feito e mais demorado e, consequentemente, fórmula óptica imprecisa. 

Isto posto, conclamo os Optometristas a reverem seus conceitos a cerca da refração automatizada. Nenhum computador impressiona mais que um atendimento envolto em dedicação, atenção aos detalhes, conhecimento técnico e respeito com os pacientes. 

Estamos caminhando na direção certa? Acredito que aprimorar nossos conhecimentos sobre anatomia, fisiologia, motricidade ocular e outros, deve ser primário. Optometria é muito mais que uma simples prescrição de óculos. Na medida em que refinamos mais nossos conhecimentos, a quantidade de prescrição de óculos por paciente atendido diminuirá.

Desejo a todos os Ópticos, Optometristas e leitores um Natal de paz e AMOR. 2012 de muito sucesso e prosperidade.

 

Artemir Bezerra.

Autor do livro Optometria no Brasil

Optometrista e especialista em Óptica Oftálmica.

Dezembro de 2011.

Fonte: Artemir Bezerra

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