Artigo Enro Gustavo Venturella / Neurocientista recupera a estereopsia aos 48 anos.

Confira:

Devido as pesquisas realizadas pelos cientistas David Hubel e Torsten Wiesel nas décadas de 1960 e 1970, todos aprendemos nas universidades que é impossível tratar com sucesso os pacientes com ambliopia e/ou estrabismo depois dos 6 anos de idade.

Isso também era o que pensava a doutora em Biologia e Catedrática de Ciências Biológicas e Neurociência Susan R. Barry.

Quando Susan tinha 4 meses de idade tornou-se estrábica, perdendo a capacidade de ver em 3 dimensões, ou seja, de enxergar em profundidade e perceber a distância que existe entre os objetos. Aos 28 meses foi operada pela primeira vez e foram necessárias outras duas cirurgias para que os olhos estivessem, aparentemente, alinhados a maior parte do tempo. Mesmo que essas cirurgias não mudassem os seus hábitos visuais (ela continuava utilizando somente um olho de cada vez) a sua acuidade visual era de 20/20 em ambos os olhos e por tanto foi assumido que ela tinha uma visão perfeita.

Susan estava na faculdade quando escutou falar pela primeira vez sobre a estereopsia ou visão em 3D, nesse momento ela consultou vários oftalmologistas que falaram para ela que não tinha essa habilidade e que nunca poderia adquiri-la. Ela compreendeu que não notava o efeito tridimensional nos filmes 3D e que não tinha percepção de profundidade na vida real.  Nesse momento começou a investigar como o cérebro processa os sinais visuais que proporcionam uma visão estável, clara e com profundidade, aprendeu então que a estereopsia se desenvolve somente durante um "período crítico" nos primeiros anos de vida e que, por tanto ela sempre seria "estereocega".

Aos 48 anos de idade Susan decidiu buscar um especialista que tivesse um conceito diferente da visão. Foi então que conheceu uma Optometrista Comportamental, uma especialista em alterações binoculares e reabilitação visual. Susan seguiu um programa personalizado de Terapia Visual e aprendeu a habilidade que a maioria das crianças de 6 meses sabem fazer:  apontar os dois olhos ao mesmo lugar do espaço ao mesmo tempo. Para conseguir isso foram necessários exercícios diários em casa e sessões semanais de Terapia Visual no consultório da Optometrista. Durante o processo o seu cérebro fez novas conexões neuronais e conseguiu o que a maioria dos cientistas pensava que era impossível: Ver em 3 dimensões.

Durante 17 anos a neurocientista Susan R. Barry ensinou aos seus estudantes o "período crítico da visão" e como algumas das habilidades visuais tinham que se desenvolver na infância, caso contrário essas habilidades seriam perdidas para sempre. Porém atualmente pesquisas científicas muito recentes em neuroplasticidade indicam que o cérebro é mais flexível e mais plástico do que se havia pensado.

Sua história foi primeiramente descrita pelo famoso Neurologista Oliver Sacks em seu artigo denominado Stereo Sue, na revista New Yorker e depois expandida por Susan em seu livro "Fixing my gaze: A Scientist´s Journey Into Seeing in Three Dimensions".

No seu livro, Susan quebra esse dogma da medicina tradicional que fala que depois da primeira infância é impossível recuperar determinadas habilidades sensoriais. Também demonstra que com uma Terapia Optométrica Comportamental adequada, planificada e supervisada por especialistas é possível reativar os neurônios binoculares "dormidos" e recuperar a visão em profundidade.

Para mais informações sobre Susan Barry acessem o seu site:

Se você deseja conhecer um pouco mais sobre a Optometria Comportamental acesse o site:
Fonte: Enro Gustavo Venturella

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