Artigo Enro Gustavo Venturella - Visão é entender o que vemos

Ter uma acuidade visual de 20/20, não é garantia de ter uma boa visão.

Ter uma acuidade visual de 20/20, não é garantia de ter uma boa visão.

Como não é a mesma coisa "ver" que "enxergar", dentro do processo visual também não é suficiente que a luz se enfoque num ponto determinado da retina para que vejamos o 20/20 (100%). Visão é entender o que vemos.
Para entender esse conceito, repassaremos o que significa Acuidade Visual, que tantas vezes utilizamos com os pacientes "você vê um X por cento". Mas o que isso realmente significa?

Quando analisamos o teste de acuidade visual, percebemos que estamos medindo a capacidade de uma pessoa para identificar algumas letras, desenhos ou sinais, a uma distância na qual deveriam ser vistos. O valor final (resultado) é o menor tamanho dos símbolos que o paciente é capaz de ler a tal distância.
 


Ao dizer que uma pessoa tem 100%, 1.0 ou 20/20 o que queremos explicar é que essa pessoa vê a 6 metros o que deveria ver a 6 metros. Portanto a acuidade visual é a capacidade de ver os detalhes de um objeto.
Más precisamente porque, no nosso cotidiano, os objetos não estão flutuando no "nada" e existem mais objetos que nos rodeiam, poderíamos realizar uma ação com esse objeto e a visão, juntamente com outros sentidos, podem estar implicados nessa decisão. A visão não é somente ver claro esse objeto, porém uma intervenção de várias habilidades visuais.

"Estima-se que 80% de toda aprendizagem, durante os 12 primeiros anos de uma pessoa, se produz através da visão."

O fato de uma pessoa ter uma acuidade visual, num determinado teste, de 20/20 não determina que ela tenha uma boa visão. Ela pode ter problemas para enfocar um texto quando lê um livro, ou não ter uma boa coordenação olho-mão e escrever com uma péssima caligrafia, ou pode ter problemas para que seus olhos trabalhem de maneira coordenada e conjunta e se canse ao realizar uma atividade de perto em 10 minutos.
 
Em todos esses exemplos está implicada a visão e com eles demonstramos que por mais que a acuidade visual seja de 20/20 pode ser que a visão não seja de 100%.

Em muitas clínicas, quando uma pessoa vai fazer um exame visual, os profissionais se limitam a obter esse resultado e verificar com qual lente se pode melhorar essa porcentagem, sem avaliar se a visão funciona bem e se trabalha conjuntamente com outros sentidos.
 
Ou seja, para alguns profissionais o objetivo é que o paciente consiga ter 20/20 de acuidade visual e não avaliam se existe outro sintoma que demonstre que não se trata somente de melhorar a acuidade, mas também de melhorar o rendimento quando se trabalha de perto, ou melhorar num determinado esporte ou melhorar a capacidade de leitura e sua compreensão. Por esse motivo, como nem sempre se relacionam os problemas cotidianos com um problema de visão se recomenda uma avaliação especializada que ofereça um estudo mais amplo da visão.

Existe uma grande quantidade de sintomas, problemas escolares e dificuldades esportivas que se pode eliminar com a terapia visual e melhorar a qualidade de vida em geral de qualquer pessoa.
Uma criança pode ser diagnosticada com uma "visão Perfeita" por um optometrista ou oftalmologista (indistintamente) simplesmente por ter um 20/20 de acuidade visual, sem medir as habilidades visuais (enfoque, visão periférica, coordenação olho-mão, discriminação de formas, relações espaciais, etc.) necessárias para ter uma aprendizagem correta ou uma boa coordenação corporal.

Se uma criança tem dificuldades na escola, nos esportes ou em sua conduta em casa, tanto os pais como os professores deveriam considerar a possibilidade da existência de um problema visual, mais além de uma boa ou má acuidade visual.

Um exemplo comparativo simples é o seguinte: quando lemos não basta verbalizar o que vemos escrito, temos que compreender o que vemos. Portanto, quando lemos, é necessário além de ver as letras nítidas, saber recordar, interpretar e verbalizar o que está escrito. De tudo isso se encarrega o processo da visão.
Se você quer saber mais sobre processamento visual acesse o site
www.optometriacomportamental.com.br

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Enro Gustavo Venturella
Bacharel em Optometria pela "UnC - Universidade do Contestado" (Canoinhas - SC)
Especializado em Optometria Comportamental e Terapias Visuais pela "Pacific University College of Optometry" (EUA) com a colaboração de "CEU - Univerdidad de San Pablo" (Madri - Espanha)

Fonte: Enro Gustavo Venturella

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