Artigo Luiz Amorim / A glicemia sobe e o optometrista não chega

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Recentemente, em visita a cliente, permaneci no salão da ótica enquanto o aguardava, afinal era um sábado, e, provavelmente ele havia se esquecido em alguma festividade da sexta-feira.

No mesmo salão aguardavam o optometrista, cinco clientes, e, dentre eles uma senhora de sessenta e cinco anos, visivelmente incomodada com os sintomas clássicos de uma glicemia que insistia em elevar-se. Àquela senhora é diabética e havia sido aconselhada não alimentar-se enquanto não fizesse o exame às nove horas, conforme agendado.

A senhora começou a queixar-se de tontura, mal estar geral e uma visão tremida que, segundo ela, era por causa da diabetes. Já passava das onze horas, e eu, não agüentando mais aquela espera angustiante agravada pelo estado da mulher diabética, resolvi ir embora.

No caminho de volta, indignado, fiquei a refletir sobre os pacientes diabéticos que, por desconhecimento da gravidade de sua condição de saúde, ainda buscam os gabinetes destes "optometristas" como uma solução paliativa aos problemas da visão. Mal sabem eles, que a diabetes pode agravar-se e até levar a perda total da visão, se não forem devidamente avaliadas por um especialista médico competente.

Ao que me consta, as patologias devem ser (necessariamente) encaminhadas ao oftalmologista, pois este paciente precisa de cuidados especiais mais específicos, e, não apenas uma simples refração. Os optometristas sabem disto, contudo, muitos destes, descomprometidos com a cidadania e a ética, insistem em fazer número elevado de atendimentos para justificar as conveniências não recomendadas a mencionar.

Fiquei chocado, mas não surpreso, afinal tenho conhecimento destes desmandos por todo o Brasil, e, não injustificadamente o Conselho Federal de Medicina luta para combater esta mazela.

É notório que existem optometristas sérios e competentes, inclusive, conheço alguns que são admirados e respeitados por médicos oftalmologistas. A grande maioria, esta sim precisa de regulagem e fiscalização rigorosa, pois estão infestando os pobres grotões do país acelerando a cegueira do povo.

O joio e o trigo estão misturados, e esta mistura perigosa afeta a luta nobre e séria das entidades que se respeitam e desejam o melhor para a optometria. Não vejo um horizonte promissor para esta profissão, caso não se tome uma decisão urgente para punir exemplarmente estes maus profissionais.

Por que o CFM é capaz de controlar e cobrar a atividade médica, inclusive permitindo ao público as queixas por erro, imperícia ou imprudência dos seus afiliados? Naturalmente que eles (os médicos oftalmologistas) sabem o dano e as conseqüências que seus atos antiéticos podem lhes acarretar.

E no caso dos optometristas, quem tem a obrigação de fiscalizar e punir os maus profissionais? Se existem estes instrumentos, quem os está aplicando de forma exemplar?

Recentemente, o corporativismo de Salvador elegeu uma vereadora (médica optometrista), a qual está batendo duro na luta pela não legalidade do exercício da optometria. Ela é médica reconhecida e lutando sem adversários competentes em favor da classe, certamente ganhará adeptos e será vitoriosa. Ao contrário, a optometria não se faz representar, não se dá ao respeito permitindo procedimentos desumanos como este aqui citado.

Autor do Bestseller: O SEGREDO PARA VENDER + ÓCULOS e da palestra show VAREJO VIVO EM ÓTICA, lançados e apresentados na Expo Abióptica 2013.

Contatos: [email protected] (71) 8432-5151/9313-6717

Fonte: Luiz Amorim

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