Artigo Prof. Sergey Cusato Jr / Ceratocone Avançado e Úlcera Periferica Pós Trauma

Confira o artigo na íntegra abaixo:

A úlcera corneal é uma perfuração da córnea, geralmente decorrente de uma infecção bacteriana, fúngica,
viral ou causada pelo protozoário Acanthamoeba, podendo ser consequência de um traumatismo. As bactérias (frequentemente estafilococos, pseudomonas ou pseudococos) podem infectar e ulcerar a córnea após a lesão do olho, penetração de corpo estranho ou irritação por uma lente de contato. Outras bactérias como gonococos e vírus como herpes vírus também podem causar úlceras de córnea. Adas por fungos tem desenvolvimento lento.
Outras causas de úlceras podem ser citadas como deficiência de vitamina A ou falta de algumas proteínas ligadas
a alterações metabólicas da córnea, resultando em ressecamento ou irritação, mesmo quando não há presença
de infecção.

Neste estudo apresenta-se o caso clínico de uma paciente com ceratonone bilateral, usuária de lentes de contato
rígida que após um acidente de carro - no qual estava sem o uso do cinto de segurança -, desencadeou um
trauma e ulceração da córnea.

Relata-se o caso, paciente de 38 anos de idade, sexo feminino, em 2003 foi diagnosticada com ceratocone bilateral, não apresentava antecedentes patológicos ou sistêmicos. Usuária de lentes de contato tricurvo rigida foi encaminhada para o departamento de contatologia em urgência.

Na figura 1, observa-se a topografia dos dois olhos da paciente, na qual se visualiza ceratocone avançado, foi encaminhada para o departamento de contatologia em urgência.

Fig. 1 - Topografia corneal da paciente.

Após avaliação do segmento anterior a paciente apresentava uma lesão em posição de 9 horas e uma úlcera de córnea na posição de 4 horas, a intervenção foi imediata como se pode observar na figura 2.

Fig. 2 - Lesão apresentada pela paciente

A úlcera periférica pequena geralmente mede entre 0,5 a 1 mm, nesses casos a câmara anterior pode ser afetada.

Com o uso de fluoreceina sódica 1 ou 2% pode-se observar vermelhidão no limpo. O paciente desse estudo de caso reportava presença de corpo estranho nos olhos mas sem dor. Ressalta-se que em alguns casos a úlcera pode ser assintomática, mostrando a importância da avaliação primária. Como as úlceras afetam a membrana de bowman é preciso indicar medicamentos com corticoides e pomadas antibióticas assim de diagnosticada.

Também se indica a suspensão da lente como no caso em questão. Na figura 3, constata-se a lente rígida sobre a úlcera de córnea.

Fig. 3 - Registro do uso da lente de contato sobre a úlcera corneal.

O prognóstico é bom, em 7 dias a paciente estará com a úlcera cicatrizada. Em outros casos mais graves a lesão pode demorar até 3 meses para cicatrizar.

Os principais sintomas da úlcera de córnea são: dor, sensibilidade à luz e aumento da produção de lágrimas.
Esses sintomas podem ser leves ou graves. Os sinais observados variam de um ponto purulento amarelo-esbranquiçado ao que se observa algumas vezes, a formação de úlceras em toda a córnea com lesões profundas. Pode ocorrer um maior acúmulo de secreção atrás da córnea, que já consideramos uma uveíte anterior. Quanto mais profunda a úlcera, mais graves os sintomas e as complicações.

Nem todos os casos de úlceras corneais requerem tratamento, pois algumas curam naturalmente, porém, podem deixar um material fibroso e opaco que provoca a formação de cicatrizes e compromete a visão. Outras complicações possíveis incluem a infecção profunda como se observa na figura 4.

Fig. 4 - Infecção profunda causada por úlcera corneal

Para visualizar uma úlcera nitidamente, o especialista pode aplicar um colírio contendo o corante fluoresceína.
O recurso de antibiotico como terapia e a cirurgia podem ser necessários.

Os cuidados primários e a identificação das anormalidades e patologias, são necessários para se evitar um comprometimento maior da visão, ressaltando-se a importância da especialização dos profissionais da saúde.

Um diagnóstico diferenciado possibilita um tratamento mais acertivo, promovendo a recuperação rápida e plena ao paciente.


Prof. Sergey Cusato Jr. O.D Msc FIBTPLC e FIACLE
Diretor do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de
Contato. F.I.A.C.L.E International Association of Contact Lenses Educators.
MBCLA British Contact Lens Association. MCLSA Contact Lens Society of
America. MSLS. Scleral, MOAA Orthokeratology Academy of America.

Referências:
MCLAUGHLIN Borlace L, et al. Bacterial biofilm on
contact lenses and lens storage cases in wearers with microbial
keratitis. J Appl Microbiol. 1998;84(5):827-38.

Fonte: IBTPLC

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