A córnea é um tecido transparente e avascular, que possui em média 1mm de espessura na periferia, 0,8 mm no centro e 11,5 mm na vertical e 12 mm na horizontal, em adultos. Funciona como uma "janela" refringente e protetora, através da qual passam os raios de luz em direção a retina. O poder refrativo equivale a + 43 dioptrias.
A clareza da visão depende da transparência corneal, a qual é mantida pelo fornecimento de oxigênio. Quando a hidratação ocorre em excesso ou gera acúmulo de fluídos na porção corneal gera um inchaço, denominado edema de córnea.
O edema da córnea depende da quantidade total de oxigênio que a córnea recebe. Quando ocorre uma alteração na função
endotelial surge um edema do estroma. Este edema tem maior probabilidade de ocorrer quando diminui a densidade das células endoteliais, densidade que pode ser variável, porém, pode ocorrer um edema do estroma como se pode observar na figura 1. (ARFFA, 1999).

A etiologia do edema de córnea pode ser causada pelo uso excessivo de lentes de contato gelatinosa, infecções virais, cirurgia ocular, lesões traumáticas dentre outras.
O edema também pode estar associado a distrofia de Fuchs, sendo a causa mais comum do edema. Este edema é caracterizado por uma desordem hereditária que degenera lenta e gradualmente as células do endotélio. Existe uma prevalência maior de distrofia endotelial em mulheres do que em homens.
Segundo Krachmer, Mannis, Holland (2005), o edema corneal pode conduzir a alterações transitórias ou definitivas na histologia do tecido, e por conseguinte, na função visual.
Outra causa que pode resultar em respostas inflamatórias na córnea é uma infecção por vírus do herpes.Mas, o edema de córnea também pode ocorrer após a cirurgia ocular.
Dentre os sintomas mais relatados do edema de córnea, destacam-se a visão distorcida, halos ao redor da luz, desconforto ocular, sensibilidade à luz. Os sintomas podem ser brandos e evoluir conforme os danos nos nervos corneais.
Os sintomas iniciais de edema da córnea são semelhantes aos das cataratas, sendo necessário um correto diagnóstico para identificação da alteração. O optometrista pode realizar microscopia especular, ultrassom e paquímetro óptico (medida da espessura da córnea), a fim de confirmar a condição.
O tratamento varia de acordo com a causa da doença.
Segundo Bartlett, Jaanus (2003), vários agentes podem reduzir o edema da córnea, glucose, goma de celulose,cloreto de sódio e glicerina. Apenas alguns deles provaram clinicamente úteis e aceitável para a maioria dos pacientes. O cloreto de sódio e glucerin são os agentes preferidos na prática clínica.
No caso de inflamação da córnea causada pelo uso persistente de lentes de contato, é recomendado a adequação das lentes. Do mesmo modo, o edema causado por aumento da pressão ocular é tratado pela diminuição da pressão. Em alguns casos é necessária a administração de antibióticos e antiinflamatórios. Em casos graves, o transplante da córnea pode ser recomendada como um procedimento de tratamento.
Caso o tratamento do edema não seja feito corretamente,os sintomas podem se agravar e o edema evoluir para o estroma e para o epitélio. Para se evitar tais complicações, recomenda-se que aos primeiros sintomas se procure orientação médica adequada e siga corretamente a prescrição do tratamento.
REFERÊNCIAS
ARFFA, Robert C; Enfermidade da córnea, 4º ed., Madrid Espanha: Harcout Brace, 1999.
BARTLETT, Jimmy D.; JAANUS, Siret D. Clinical ocular pharmacology, 2003.
KRACHMER, Jay H.; MANNIS, Mark J.; HOLLAND, Edward J. "Cornea, Volume 1". 2005.
Prof. Sergey Cusato Jr. O.D Msc FIBTPLC e FIACLE
Diretor do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes
de Contato. F.I.A.C.L.E International Association of Contact Lenses
Educators. MBCLA British Contact Lens Association. MCLSA Contact Lens
Society of America. MSLS. Scleral, MOAA Orthokeratology Academy of
America