A miopia é uma alteração na longitude axial dos olhos. O encurvamento excessivo da córnea ou alterações acomodativas podem levar o paciente a uma miopia facultativa ou absoluta.
Atualmente, estuda-se os principios genéticos buscando delimitar os fatores que causam a miopia. A correção deste erro refrativo é feita pela indicação de óculos, lentes de contato e mesmo por cirurgia.
No ano de 1956 em um estudo de controle de miopia do Dr. Robert Morrison, constatou-se que 1000 crianças, as quais usavam lentes rígidas de PMMA com uma curvatura mais plana que a córnea, não tinham progressão da miopia, enquanto as crianças que usavam qualquer outro tipo de correção tinham aumento significativo.
Neste caso clínico, apresenta-se o caso de uma paciente do sexo feminino com 27 anos, a qual não se adapta com o uso de lentes de contato gelatinosa de qualquer tipo e não tolera usar óculos por período prolongado. Fez-se inicialmente uma avaliação, e os dados coletados estão relatados na tabela abaixo.
Tabela 1: Dados refratométricos
Durante a avaliação, constatou-se que a paciente apresentava um quadro de conjuntivite alérgica em resposta a hiper sensibilidade tipo II. Desta forma, solicitou-se a um alergista para apurar sobre as alterações e atopias.
A avaliação de córnea e segmento anterior está des-crita na tabela 2.

Na avaliação oftalmoscópica, o fundo de olho da paciente apresentava parâmetros normais, RLAV, 2/1 Esc 0,1 Copa 0,5 Papila normal, sem cruzamentos arteriovascular. Assim como não havia sinal de nenhuma retinopatia ou alteração reumatológica. O cristalino apresentava-se transparente e posicionado tanto na face anterior, posterior, córtex e também no núcleo.
Por meio dos dados coletados na avaliação, iniciou-se o protocolo de redução de miopia com ortoqueratologia acelerada.
Na figura 1 apresenta-se os dados topográficos da córnea da paciente.
Figura 1: Apresentação dos dados topográficos da córnea.
O tratamento prescrito, consiste em produzir uma migração das células epiteliais para a periferia da córnea aplanando desta forma o centro, ao se observar atentamente a topografia, observa-se em amarelo a maior curvatura da córnea.
Após 4 dias de terapia com ortoqueratologia a paciente teve uma mudança significativa, na acuidade visual de 20/200 que representa 10% para 20/30 que representa 67% de visão.
Figura 2: Dados topográficos 1 semana após terapia.
Logo o paciente muito eufórico por ter tido uma melho-ra, queria fazer o uso diurno para acelerar o processo, o que é contra indicado, sendo orientado a usar somente durante o sono por causa da movimentação da lente podendo trazer mudanças no tratamento.
Na figura abaixo, observa-se o resultado em 15 dias de tratamento, apresentando melhoras surpreendentes deste tipo de lente, trazendo qualidade na visão e o paciente muito fidelizado e comprometido.
Figura 3: Resultados optidos em 15 dias de tratamento.
A tabela abaixo demonstra os dados por tratamento e controle.

É muito importante que os pacientes que procuram esse tipo de tratamento busque profissionais qualificados e com prática em adaptação de lentes de contato, principalmente em ortoqueratologia. E aos profissionais que procurem conhecer profundamente a fisiologia da córnea e seu funcionamento para que a adaptação seja plena.
Prof. Sergey Cusato Jr. O.D Msc FIBTPLC e FIACLE
Diretor do Instituto Brasileiro de Treinamento e Pesquisa em Lentes de Contato. F.I.A.C.L.E International Association of Contact Lenses Educators. MBCLA British Contact Lens Association. MCLSA Contact Lens Society of America. MSLS. Scleral, MOAA Orthokeratology Academy of America