É sabido que o cigarro é um dos grandes vilões para a saúde do ser humano. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a cada oito segundos uma pessoa morre por doenças relacionadas ao tabagismo. O cigarro pode desencadear doenças cardiovasculares, como infartos e derrames, e enfermidades pulmonares obstrutivas crônicas, como a bronquite e o enfisema pulmonar.
Agora, mais um dado vem incrementar a já longa lista dos males do tabagismo: recente estudo conduzido pela Harvard Medical School, nos Estados Unidos, revela que o risco de desenvolver degeneração macular relacionada à idade (DMRI) em fumantes é até duas vezes maior do que nas pessoas que não fumam.
O estudo envolveu 681 idosos, sendo 222 deles portadores de DMRI em estágios intermediário e avançado, e 459 sem qualquer sintoma ou problema ocular. O objetivo foi avaliar apenas a influência de fatores externos - tabagismo e consumo de alimentos - no desenvolvimento da DMRI, anulando os fatores genéticos.
Foram realizados exames oftalmológicos detalhados e analisados os hábitos alimentares dos participantes do estudo. Os resultados apontaram que 32% dos pacientes avaliados tinham desenvolvido DMRI por causa do cigarro."O tabaco é um dos principais fatores de risco para várias doenças", diz Francisco Max Damico, oftalmologista do Hospital Sírio Libanês de São Paulo. "É a segunda maior causa de morte no mundo. O trabalho reforça que o tabagismo é um forte fator de risco para o desenvolvimento da forma avançada da DMRI."
Outro resultado obtido no estudo, desta vez positivo, confirma o efeito protetor da substância ômega-3, contida em alimentos como peixes. O benefício para os olhos existe quando se consome peixe duas ou mais vezes por semana. A chance de proteção chega a ser 22% maior e fica mais evidente quando acompanhada de baixa ingestão de ômega-6, presente em óleo vegetal e cereais.
Doença associada ao processo de envelhecimento, a DMRI é uma das principais causas de perda grave da visão em adultos. Estima-se que a doença atinja 5 milhões de brasileiros e 300 milhões de pessoas no mundo. Um paciente portador de DMRI tem dificuldade para fazer atividades como ler, enxergar placas de rua, cozinhar, reconhecer as pessoas, ver TV, discar os números do telefone ou dirigir.
A DMRI é mais comum a partir dos 50 anos. Como o próprio nome da doença aponta, a idade é o principal fator de risco para seu desenvolvimento. Há outros fatores que também contribuem como hereditariedade, tabagismo, pressão alta, alimentação desequilibrada e obesidade.
"A avaliação oftalmológica rotineira contribui muito para detectar lesões na fase inicial, principalmente quando o primeiro olho é afetado e o outro olho, ainda bom, supre a dificuldade visual", alerta Damico. "E o resultado do tratamento é tanto melhor quanto mais precoce for realizado o diagnóstico", completa o oftalmologista.
Até recentemente, o tratamento da DMRI era limitado à fotocoagulação a laser e à terapia fotodinâmica. Entretanto, o desenvolvimento de drogas antiangiogênicas inaugurou a promissora era do tratamento farmacológico da DMRI. Há apenas um medicamento antiangiogênico aprovado para uso intra-ocular no Brasil, o Macugen (pegaptanibe sódico), desenvolvido pela Pfizer.
Fundada em 1849, a Pfizer é uma indústria farmacêutica de origem norte-americana que pesquisa, desenvolve e comercializa medicamentos líderes nas áreas de saúde humana e animal. Presente em 140 países, a empresa está no Brasil desde 1952 e, atualmente, emprega cerca de 1,9 mil funcionários.