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Efeitos prismáticos nas lentes oftálmicas

Artigo Artemir Bezerra para Opticanet

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Fórmulas ópticas com prescrição de prismas é uma tendência cada vez maior. A Optometria Comportamental utiliza bastante a PRISMOTERAPIA (parece um neologismo). Os Ópticos, vendedores de óptica e laboratórios ópticos devem estar atentos a esta realidade que se descortina à nossa frente. Diante destas fórmulas ópticas é necessário preocupar-se com armação e lentes adequadas para não frustrar os usuários e não comprometer o trabalho do profissional que prescreveu. Além disso, é fundamental saber conferir estas lentes prismáticas no lensômetro e realizar as medidas do usuário adequadamente e cuidadosamente. Por tudo isso, estudar sobre prismas e compreender melhor estes recursos ópticos está na ordem do dia para os profissionais de óptica e estudantes de Optometria.

Toda a lente portadora de qualquer força dióptrica, seja ela esférica ou cilíndrica, possui também, consequentemente, determinada força prismática. Nas lentes portadoras de qualquer força de vértice ou astigmática, sua força prismática se encontra distribuída por toda a lente, com exceção do centro óptico (ponto onde as duas superfícies encontram-se exatamente em paralelo). Do centro óptico em direção à periferia da lente essa força prismática vai aumentando gradativamente. Por isso nas lentes graduadas as medidas de DNPs e medidas verticais de CO são tão importantes, principalmente nos casos de potências dióptricas elevadas. Pelo fato destas lentes apresentarem forças prismáticas diferentes em cada ponto da lente, quanto maior o erro na medida, maior será o efeito prismático gerado e maiores as consequências para o usuário dos óculos.

Uma lente afocal, ou plana, também pode possuir qualquer força prismática se suas superfícies não se acharem perfeitamente em paralelo. Neste caso, a força prismática se distribui por toda a lente, mas exatamente com a mesma potência em qualquer ponto. Por este motivo lentes cilíndricas monofocais e/ou bifocais que não possuírem força dióptrica ao longo do meridiano horizontal não necessitam das medidas de DNPs para a montagem destas na armação. Claro que no momento da venda a tomada destas medidas devem ser realizadas, e com segurança, porém, efetivamente não serão utilizadas pelo montador no laboratório.

Exemplos de lentes que não apresentam força dióptrica no meridiano horizontal:
0,00 - 1,00 x 180°
+ 2,00 - 2,00 x 90°
+ 0,50 - 1,00 x 45°

Chama-se de força prismática ao poder de refração que uma lente pode possuir em função do ângulo formado por suas duas superfícies e do índice de refração - IR.

Refração é a mudança de direção que a luz sofre ao atravessar dois meios de densidades diferentes. Desta forma, se uma lente afocal não apresentar suas superfícies perfeitamente em paralelo, ou seja, quando apresentar um determinado ângulo entre si, necessariamente qualquer raio de luz que a atravesse sofrerá sempre um desvio em direção à base do prisma, ou seja, em direção à parte mais grossa da lente, seja qual for seu ângulo de incidência.

O poder dióptrico prismático é uma função do ângulo de refração do prisma. Este poder varia segundo a razão direta da grandeza de dois elementos: índice de refração - IR do material e ângulo formado pelas duas faces do prisma. Isto significa que a força prismática de uma lente é tanto maior quanto maior for o ângulo formado pelas suas duas superfícies, ou quanto mais alto for o IR do material.

Existem dois motivos que podem exigir um efeito prismático na elaboração de uma lente.
A fórmula óptica exige determinada força prismática representada pelo valor dessa força e da direção da base do prisma. É esse efeito prismático que podemos chamar de força prismática exigida na receita.
Outro é quando se tem necessidade de descentralizar o centro óptico da lente a fim de corresponder na armação com a distância naso-pupilar do cliente, dadas as limitações de diâmetro do bloco em relação ao tamanho da armação. A este segundo motivo podemos chamar de força prismática para descentralização do centro óptico.

Muitos laboratórios atualmente encontram "jeitinhos" de montar as lentes em armações grandes, deslocando arbitrariamente o centro óptico da lente. Esta prática é nefasta e gera efeitos prismáticos indesejados nas lentes. Algumas vezes os laboratórios se valem das tabelas de tolerâncias ópticas aceitas pelo mercado, outras vezes nem mesmo informam os profissionais na óptica que estão "correndo" a DNP para conseguirem montar as lentes e não atrasar os óculos. Esta é uma prática bem trivial, porém, deve ser evitada a todo custo. Mesmo pequenos erros das medidas de DNPs e medidas verticais de CO podem acarretar enormes prejuízos ao usuário dos óculos.
 
Exemplos de efeitos prismáticos gerados a partir de erros nas medidas horizontais.

Qual o efeito prismático gerado em função de erro na DNP de 2 mm, para menos, numa lente com + 3,00 esférico?

Resolução:

Fórmula: /\ = D x DS / 10

/\ = 3,00 x 2 / 10
/\ = 0,60 BN

Qual o efeito prismático gerado em função de erro na DNP de 2 mm, para menos, numa lente com - 5,00 esférico?

Resolução:

/\ = 5,00 x 2 / 10
/\ = 1,00 BT

Qual o efeito prismático gerado em função de erro na DNP de 3 mm, para mais, numa lente com - 3,50 - 2,00 x 90°?

Resolução:
Neste caso é necessário realizar a transposição e colocar na fórmula o esférico transposto (força atuante ao longo do meridiano horizontal).

/\ = 5,50 x 2 / 10
/\ = 1,10 BN

Como podemos constatar nestes exemplos, quanto maior a potência dióptrica esférica, menor deve ser a tolerância de erros nas medidas. Os Ópticos devem estar sempre atentos às medidas horizontais e verticais de seus clientes. As tabelas de tolerâncias devem ser utilizadas somente em último caso. Devemos lembrar que efeitos prismáticos, mesmo pequenos, podem não produzir consequências motoras no órgão da visão, porém, podem acarretar alterações sensoriais sérias, às vezes perceptíveis apenas por profissionais especialistas em Optometria Comportamental.


Artemir Bezerra
Óptico
Optometrista
Pós-graduado em Ortóptica
Professor de Óptica Oftálmica
Especialista em Óptica
Livros publicados: Optometria no Brasil (2011) e Óptica Oftálmica Aplicada (2013)
Fonte: Artemir Bezerra

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