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Este estudo sobre visão contradiz as conclusões de um Prêmio Nobel de Medicina

Artigo Fabricio Paes / Bacharel em Optometria - Especialista em Optometria Comportamental e Terapia Visual

Na ciência, o desenvolvimento de novas ferramentas é tão importante quanto as próprias descobertas; já que, sem eles, eles não poderiam ser realizados. Por essa razão, não é estranho que em certas ocasiões existam eventos como o que acaba de ser publicado hoje em um estudo da revista Current Biology. Nele, uma equipe de cientistas da Universidade de Vanderbilt analisa como o nosso cérebro processa a união das imagens capturadas por cada um dos nossos olhos. É um ótimo achado, sem dúvida. Mas o mais curioso é que contradiz as conclusões de outro grupo de pesquisadores que em 1981 ganhou o Prêmio Nobel de Medicina por suas descobertas.

Olho Preguiçoso, Olho dominante

Em 1981, os cientistas David Hubel e Torsten Wiesel ganharam o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, por suas descobertas sobre o processamento de informações no sistema visual. O prêmio, compartilhado com o também neurocientista Roger Sperry, foi resultado dos estudos realizados nas décadas de 50 e 60. Durante esse tempo, eles registraram a atividade individual dos neurônios nos cérebros dos gatos, a fim de identificar padrões específicos. Em paralelo, eles também desenvolveram um microeletrodo que, implantado no olho dos felinos, permitiu descobrir como o cérebro pode desenvolver imagens complexas diante de um simples estímulo visual.

Importante: O trabalho de Hubel e Wiesel enfatizou o esclarecimento de que existem neurônios que respondem apenas aos estímulos do olho.

Além disso, os neurônios que responderam a um determinado olho foram agrupados em colunas, localizadas no córtex visual. Por outro lado, identificaram estágios críticos no desenvolvimento do cérebro, durante os quais a privação (tampar a luz) de um olho mudou a dominância dessas colunas, reforçando que os restos remanescentes estavam livres e agora dominantes. Foi assim que surgiu a ideia de tampar os olhos das crianças para encorajar a visão do que é comumente conhecido como um olho preguiçoso. Acredita-se que até hoje, essa condição, chamada AMBLIOPIA, ainda é tratado através da privação visual de um olho durante a infância, no mínimo uma forma rudimentar.

Agora, uma equipe de cientistas da Universidade de Vanderbilt foi ainda mais longe, graças ao uso de tecnologias que não estavam disponíveis para Hubel e Wiesel na época doestudo. Especificamente agora, eles usaram câmeras com rastreamento oculares computadorizadas e eletrodos muito mais sofisticados para estudar a atividade individual de cada um dos neurônios.

Dessa maneira, verificaram que a informação vinda dos dois olhos se funde ao chegar ao neocórtex e não depois, como propuseram os ganhadores do Nobel. Em suma, das seis camadas pelas quais a informação flui, acreditava-se que essa convergência ocorria nas mais altas, ao passo que mostravam que, na verdade, é feita em cerca de metade.

Esta descoberta fornece informações muito úteis para o desenvolvimento de métodos de tratamento da AMBLIOPIA, além do tampão. Agora, tudo isso significa que Hubel e Wiesel não mereciam o Nobel? É aí que entra a questão do desenvolvimento de novas tecnologias. Com as ferramentas disponíveis para eles, suas descobertas foram verdadeiramente revolucionárias e dignas de serem premiadas. Felizmente, a ciência evolui, mas cada passo é importante para chegar ao próximo. No final do dia, muitas crianças resolveram seus problemas oculares graças a elas. 

OPINIÃO: Assim como o texto prediz, tecnologias evoluem e profissionais devem acompanhar, HOJE já é de conhecimento que o tampão e cirurgia, NÃO são as únicas opções para tratamento de AMBLIOPIA e ESTRABISMO. Idade máxima de tratamento é lenda, e ciência e neurologia já comprovam a evolução destas teses a cada dia. É chegada a hora de evoluirmos e estar aberto para aprender novos caminhos é essencial.

LER constantemente nunca foi tão fundamental aos profissionais da neurociência e neurovisão.


Autor: Azucena Martín - 17 de janeiro de 2019

Tradução e Adaptação: Fabricio Paes - Optometrista
Fonte: Fabrício Paes

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