Já dizia o profeta Salomão no século X a.C.:
O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; de modo que nada há novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós. (Eclesiastes 1:9-10).
E com relação à optometria? Teria que ser diferente?
Os grandes embates enfrentados pela categoria em nosso país não são eventos novos. Eles já ocorreram em
outros países, nos séculos passados que foram antes de nós, parafraseando o profeta.
Parece paradoxal, mas o fato de a optometria ser ainda uma profissão "nova" para grande parte da população
brasileira, não se constitui num evento novo em si. Pois, antes de nós, há séculos, os primeiros optometristas
já enfrentavam esse mesmo dilema, essa mesma situação em relação à notoriedade da profissão.
Os primeiros optometristas também enfrentavam oposição de alguns oftalmologistas e por vezes precisavam
recorrer às instâncias jurídicas para obter o reconhecimento e dirimir questões sobre a legalidade e a
legitimidade de sua atuação.
O interessante nesta percepção, de modo que nada há novo debaixo do sol, é a possibilidade que temos de
compreender que não somos o único país do mundo a enfrentar problemas de notoriedade e oposição à
optometria, nem tão pouco seremos o último. Neste sentido, ao conhecer um pouco da história da profissão,
poderemos exercitar um novo olhar sobre a mesma e, consequentemente, ter a oportunidade de refletir sobre
a optometria que queremos.
Para construir a optometria que queremos se faz necessário iluminar e compreender o passado para, então,
planejar ações efetivas, tendo em vista desenvolver a profissão satisfatoriamente. Faz-se necessário conhecer
os principais fatos históricos referentes ao surgimento da profissão, procurando entender em que contexto
eles ocorreram.
Conhecer a história de nossa profissão é conhecer nossa própria identidade; é resgatar a própria origem e
trilhar o caminho percorrido por aqueles que contribuíram para que chegássemos até o presente; é
compreender o optometrista como profissional que constrói sua história em seu tempo. A partir desta
compreensão temos a possibilidade de traçar caminhos frutuosos, fundamentados em erros e acertos já
experimentados no passado, já vividos por outros personagens da história.
A optometria não nasceu ontem! No mundo, ela se constitui uma profissão de base muito sólida. Ao longo
do tempo, principalmente a partir dos séculos XVIII e XIX, ao passo em que foi ganhando cada vez mais
autonomia, a optometria se tornou a terceira maior profissão independente de cuidados primários da saúde.
Como já disse o profeta: O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer...
Crendo nisso, sinceramente, conhecendo um pouco da profissão e acompanhando o desenrolar de sua
história no Brasil, antevejo que, da mesma forma como já ocorreu em alguns países, a optometria brasileira
terá ainda mais notoriedade nacional e internacional; ganhará ainda mais respeito da população; obterá ainda
mais respaldo de organizações e instituições não só da saúde, e; consequentemente, será, de fato, a primeira
barreira contra a cegueira (no Brasil), como preconiza a Organização Mundial da Saúde.
É só conferir na história...
Wellington Sales Silva
Pós-Graduado em Ortóptica com ênfase em Reabilitação Visual
Graduado em Optometria
Técnico em Óptica e Optometria
Autor do Livro: HISTÓRIA DA OPTOMETRIA: origens, personagens, instituições (Compre aqui)