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Neurociência - O Equilíbrio

Artigo Vilmário Antonio Guitel para Opticanet

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Desequilíbrio e desconforto é uma queixa bastante habitual em consultórios de oftalmologia ou de optometria, bem como situações onde o paciente refere dificuldade com altura, descer ou subir escadas, desorientação em jogos com bola, as vezes apresentando uma posição da cabeça irregular (sobre os ombros), caracterizando o "pescoço torto" ou torcicolo.

No processo de uma boa orientação espacial, empregamos múltiplas referências sensoriais, incluindo a gravidade (sistema vestibular), superfície de apoio (sistema podal + sistema somatossensitivo) e a relação do nosso corpo com o ambiente (olhos e sistema visual). 

A atuação conjunta destes três sistemas, permitem a estabilização do campo visual nas diversas situações de movimento nas quais o indivíduo é submetido, garantindo e participando ativamente na manutenção do equilíbrio corporal.

As informações provenientes destes sistemas são integradas e processadas no sistema nervoso central (no córtex cerebral, tronco e cerebelo), os quais se encarregam do planejamento e execução dos atos motores pertinentes à manutenção ou restauração do equilíbrio e estabilidade do corpo. 

Vários estudos correlacionam a deficiência visual com alterações na função de equilíbrio, que tem a tendência de se tornar insuficiente e apresentar desequilíbrio na presença de comprometimento visual, sobretudo nas disfunções de alguns músculos denominados "músculos oculares oblíquos" ou de seus respectivos nervos que os estimulam. 
Qualquer distúrbio nos sistemas de equilíbrio podem reduzir a estabilidade, resultando em aumento da oscilação corporal e alteração na estratégia do movimento. 

Existem casos relacionados a esta condição em pessoas que sofreram acidentes com trauma crâneo encefálico ou em AVC e mesmo em casos de pequenos traumatismo com batida na cabeça, com origem em qualquer idade, cujas situações podem ocasionar certas dificuldades tanto na forma de andar, (andar nas pontas dos pés ou sobre seus calcanhares), medo de altura, desequilíbrio, complicação ao descer escada, dificuldades em jogos com bola, difícil visão espacial, déficit de lateralidade ou direcionalidade, sendo que todas estas situações provocam desconforto e dificuldades no dia a dia dos seus portadores. 

É comum muitos este paciente procurar auxílio com terapeutas ocupacionais, fisioterapeuta, psicólogos neurologista ou mesmo psiquiatras. Mas nem sempre conseguem resolver suas queixas. 

Esta situação é melhor resolvida por um especialista denominado Neuro Optometrista. Este profissional possui conhecimento tanto da visão e suas formas de correção, como dos sistemas neurológicos que compõe o equilíbrio. Existem técnicas específicas e personalizadas para cada caso, que conseguem grande êxito na maioria das situações, pela indicação de terapias visuais e de lentes especiais à cada situação. 

Principalmente na presença de lesão ou doença de qualquer uma das estruturas envolvidas, por exemplo: sistema visual (olhos), sistema vestibular (ouvido interno), apoio dos pés e dos receptores periféricos, da medula espinhal, do cerebelo e do córtex occipital, qualquer uma destas estruturas que estão envolvidas nos estágios do processamento da informação podem afetar o equilíbrio, provocando situações de desequilíbrio com disfunção variadas do comportamento, situações estas que podem ser recuperadas ou minimizadas através de terapias e lentes especiais indicadas especialmente para cada caso de modo particular, por um Neuro Optometrista.

Por outro lado, estudos relatam sobre o comportamento motor de indivíduos com deficiência visual severa, nos quais o desequilíbrio é significantemente maior quando comparado com indivíduos com visão normal. Conclusão em pesquisa, mostram da existência de correlação entre o equilíbrio e a idade de indivíduos cegos comparados a outros com visão normal. Os cegos possuem pobre controle postural. 

Pesquisadores destacam que o deficiente visual apresenta falha no equilíbrio, além de déficit de mobilidade, de coordenação motora, lateralidade e direcionalidade, ficando com o esquema corporal e cinestésico prejudicados. Enquanto que o indivíduo que possui sua visão intacta, juntamente com os sistemas somatosensorial e vestibular íntegros, teoricamente, segundo a neurofisiologia, possui função de equilíbrio preservada. 

A partir do momento em que se perde um dos três sistemas envolvidos na função do equilíbrio, principalmente a visão ou parte dela, ocorre uma perda funcional dos mecanismos visuais envolvidos no controle do equilíbrio.

Levando em conta a integridade dos centros superiores que controlam os músculos extraoculares, como o colículo superior e o colículo inferior (que integram a visão com a audição ao sistema vestibular), cujos sistemas estão intimamente ligados ao equilíbrio, sendo que, estes últimos podem compensar a perda visual, fato relatado em estudos anteriores. 

De onde surge a evidência e conclusão de que, indivíduos cegos apresentam um comportamento motor específico, podendo desenvolver um eficiente controle dos mecanismos de correção do equilíbrio, sobretudo através dos sistemas somatosensorial e sistema vestibular, cujo controle está no cerebelo. A compensação plástica dos cegos pode melhorar o processamento da informação vestibular e proprioceptiva associados à informação espacial auditiva. 

Relatos indicam que os indivíduos cegos podem usar diferentes estratégias sensório-motoras para atingir a estabilidade postural, indicando que a informação auditiva/vestibular e dos pés (sistemas podal e somatossensitivo) podem substituir a ausência da informação visual

Dessa forma, para a plena harmonia dessas compensações o indivíduo que adquire deficiência visual total (mas que não nasceu cego), pode apresentar alterações importantes no controle do equilíbrio estático corporal e até conquistar uma estabilidade através de estratégias de aprendizado e treinamento.

O propósito da divulgação desta matéria é relatar tanto aos portadores de deficiências posturais, assim como aos profissionais que procuram soluções, buscando restaurar tanto o equilíbrio como outras manifestações nefastas, a possibilidade de encontrar uma solução para a perda de função corporal do equilíbrio destas pessoas, indicando um profissional qualificado na busca da melhor solução para cada situação. 

Professor Vilmario Antonio Guitel 
BACHAREL EM OPTOMETRIA
Optometrista, OD - Regional SP CROOSP 02.003
Técnico em Óptica e Lentes de Contato - SENAC SP
Pós Graduação Alta Optometria Pediátrica - UNC - SC
Pós Graduação Magistério do Curso Superior - UNC - SC
Especialista em Fototerapia Syntonic - Inst. Thea, Florianópolis SC 
Optometria Comportamental - Inst. Thea, Florianópolis SC
Neuroptometria - Instituto Thea, Florianópolis SC
Colunista Opticanet - Categoria: Colunas & Artigos
Fonte: Vilmário Antonio Guitel

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