A distância de leitura, é determinada por algumas teorias, entres elas as teorias de Harmon, que afirmam que a distância é igual ao comprimento do braço, conforme a imagem a seguir:
Outros preconizam como 33cm a distância ideal de leitura, que resulta em 3 dioptrias de acomodação. Desconsiderando outros fatores como capacidades acomodativas diferentes entre olhos assunto de outra conversa, vamos analisar a questão enfrentada muitas vezes no atendimento do presbita. No ato da retirada dos novos óculos monofocais para leitura, refere queixas como:
* 1-) A distância de leitura não está confortável como óculos anterior, porque não há posição de foco nítido.
* 2-) Abaixo das letras e lateralizado existe um efeito de desfoque nas letras.
* 3-) Astenopia, náuseas, e por fim o "engavetamento" dos óculos.
É pratica comum remeter o paciente e seus óculos novos ao profissional prescritor. O profissional oftalmologista ou optometrista, monta a correção em suas lentes de exame, analisa os óculos e então o diagnóstico é certeiro: Dioptrias exatas, e devolve-se a óptica para verificar a distância pupilar, ângulos e ajustes.
Remetendo a teoria de cores refratadas em uma lente, imagine que a lente positiva produz a convergência dos raios para o ponto focal exato na fóvea em busca da fóvea central, permitindo o foco exato.
Entretanto todo material ao refratar uma luz, promove de forma maior ou menor aberrações: Esféricas, Astigmaticas ou Cromáticas.
O vendedor na óptica aprendeu que quanto maior a dioptria o ideal é o uso de lentes com maior índice de refração, minimizando as espessuras das lentes, bem como o efeito de aumento de olho em lentes positivas. Em outras ocasiões o objetivo pela escolha do policarbonato é uma lente de maior resistência a impacto, assim óculos de perto caem demais. Uma outra linha de pensamento é meramente a venda de uma lente que tem uma argumentação forte de venda e ainda auxilia a bater metas de vendas pelo custo elevado.
O paciente ao reportar o desconforto, enviado ao prescritor, das lentes e devolvido por medidas a loja, é levado como "cliente exigente demais" na visão do lojista.
Ao observar letras pretas com alta iluminação, hábito dos presbitas, o paciente conhece as famosas aberrações cromáticas bem citadas por Ernest Abbe. Policarbonato e outras lentes com baixo valor ABBE, promovem o aparecimento de sombra nas letras, desta forma é irritante ao paciente a possibilidade da leitura.
Uma lente de alta dispersão cromática (baixo valor Abbe), promove a separação acentuada entre as cores azul-violeta ao vermelho, motivo pelo qual ao ler reflete-se sobras azuladas nas letras.
Outro fator a ser considerado é a percepção de espaço que o cliente possui com lentes curvadas (esféricas em material acrílico) de seus óculos antigos em relação a imagens mais planas promovidas em baixas curvas asféricas.
Proponho pensar na aplicação de lentes de alta qualidade cromática em situações que o paciente tenha desejo pela maior estética de seus óculos, como materiais Premium 1.56 ou 1.60 e 1.61. Sempre consultando o valor Abbe próximo a 40.
Professor Rodrigo Sonoda
Consultor óptico.
Docente de Óptica - Optometria OWP Educação - WEducar
Consultor ABCI - Associação Brasileira de Ópticas