Muitos empreendedores e curiosos aventuram-se no mercado para disputar um lugar ao sol, contudo não trazem consigo algum estudo sobre indicadores econômicos, planejamento estratégico, programas de investimentos, e, muito menos um estudo de mercado. No setor óptico, encontramos o maior índice de insucessos com novos empreendimentos, apesar da generosidade do segmento.
Aplicar capital próprio, ou, tomado de terceiros para algum empreendimento, sem utilizar de critérios específicos, nos parece uma tragédia anunciada. Apesar da existência de organismos orientadores como o Sebrae e outras consultorias independentes, muitos não se interessam em procurá-los. Se o fizessem, evitariam a perda de tempo e dinheiro num empreendimento frustrado.
Alguns questionamentos me parecem elementares quando da pesquisa de viabilidade comercial e econômica, contudo poucos se dão conta da importância dos mesmos. De uma forma bem simples, tentarei elencar, dentre uma centena de perguntas, àquelas que julgo importantes como parte de um programa necessários aos que se aventuram em negócios de ótica.
1 - Mercado, quais os resultados deste segmento nos últimos cinco anos e, as perspectivas para o longo prazo?
2 - Mercado, quanto devo investir para instalar meu PDV?
3 - Mercado, qual a localidade mais carente deste serviço na cidade?
4 - Mercado, onde posso adquirir mercadoria por preço justo, com qualidade?
5 - Mercado, qual o perfil do consumidor desta localidade?
6 - Mercado, qual o potencial econômico desta região?
7 - Mercado, qual a população desta região e a predominância de mulheres acima de 40 anos?
8 - Mercado, quais preços devo praticar para atender o mercado local?
9 - Mercado, qual o mix, e, quantidade de peças devo ter no estoque inicial?
10 - Mercado, onde posso encontrar mão de obra qualificada para contratar?
Assim como num plano de voo, onde as aeronaves não saem do solo sem uma previsão correta das condições em rota, investir num negócio requer estudos antecipados e adequação às condições exigidas para um novo empreendimento.
As consultorias são parte necessária deste negócio, porém não se dá a devida atenção para as mesmas. O consultor de negócios em óptica parece ser um "mal em si mesmo", gozando de uma reputação oportunista e desnecessária. Muitos, por ignorância ou desconhecimento da importância deste profissional, se lançam ao mercado inadvertidamente, e, em seguida descobrem surpresos que perderam muito mais do que investiriam na contratação de consultores especializados.
É notória a fama do desperdício em nosso país, principalmente dos recursos financeiros. Verbas públicas não são aplicadas por falta de bons projetos, atrasos gerados por burocracia impedem o crescimento econômico, etc. Na esteira destes desmandos, o setor óptico também comete seus equívocos desperdiçando capital útil e grandes talentos por falta de planejamento.
Parece-me óbvio que, ao desejar formar-se para exercer uma profissão exitosa, alguém deva procurar uma instituição para a necessária formação. É assim com os médicos, advogados, engenheiros, administradores, etc. Por que com os novos empreendedores deve ser diferente?
Luiz Amorim - Consultor Comercial do setor óptico
Autor do livro: O segredo para vender + óculos
[email protected]