O trabalho de optometristas requer as mais variadas atitudes na administração da prescrição das melhores lentes para cada situação do cotidiano dos usuários de correção óptica.
A indicação das lentes tem como objetivo melhorar a qualidade de visão, proporcionar melhores condições para o trabalho, determinar melhor aproveitamento nos estudos, otimizando e recuperando a qualidade de vida de portadores de deficiências da visão, seja miopia, astigmatismo, hipermetropia ou presbiopia. Independente de qual defeito for encontrado, todos são nocivos e comprometem tanto a acuidade visual, como provocam desconfortos e até dores nos olhos ou de cabeça.
É necessário considerar que cada pessoa requer uma prescrição de lentes totalmente personalizada. Nesta esteira, se faz obrigatório que o profissional que avalia e prescreve uma correção óptica, tenha um preparo e uma visão bastante holística sobre "visão humana", deixando de lado todo e qualquer método baseado em tabelas ou conceitos, fórmulas ou definições sobre um sentido tão eminentemente complexo como a visão, visto que cada indivíduo é único e suas necessidades precisam ser individualizadas.
Na verdade, a visão por ser um sentido único e personalizado em cada indivíduo e por ter caraterísticas que devem ser observadas, desde a genética até o desenvolvimento final do ser humano (que ocorre entre os 6 e os 7 anos de idade), carece de muito estudo e preparo para indicar uma correção óptica precisa e que não provoque disfunção com seu uso. Até esta data, (6 aos 7 anos), ocorrem inúmeras alterações e mudanças nas estruturas corporais na qual o sistema visual está incluído. As estruturas com maior desenvolvimento, nesta fase, são o cérebro (SNC) e os olhos, que na verdade podem ser considerado parte do sistema nervoso visto ter uma ligação direta com o córtex. Além do que, o sistema visual, a visão, é o sentido que fornece a maior parte das informações para o cérebro, cerca de 75%. Cabendo os outros 25% aos demais sentidos: fala, audição, sinestesia, tato e olfato que se encontram totalmente ligados à visão. Existe uma coordenação no Tálamo (núcleo cerebral) que faz uma ordenação e integração entre todos os sentidos humanos.
Neste aspecto, devido as próprias alterações e mudanças estruturais que acontecem durante o desenvolvimento infantil, é muito importante que o profissional que se dedique à esta área de atuação, (visão infantil), tenha estudo e conhecimentos, tanto sobre as fases do Desenvolvimento Ocular como sobre Desenvolvimento Cerebral Infantil, para poder prescrever com segurança lentes que levem em conta cada fase do desenvolvimento da criança dentro das necessidades e finalidades que devem preencher não só os requisitos da acuidade visual e ambliopia, como várias funções que precisam ser avaliados em um infante. Assim como os desvios oculares, visão espacial, precisão dos movimentos oculares, facilidades ou dificuldades do aprendizado etc.
Já em adultos, também as prescrições requerem uma personalização que seja adequada a cada caso. Sempre é importante levar em conta a atividade onde a pessoa vai utilizar seus óculos na maior parte do tempo.
Esta observação nem sempre é levada em conta pelos profissionais que executam exames da visão. Assim, as reclamações surgem com frequência, com queixas de dificuldades em certas distâncias de trabalho ou de tarefas mais específicas.
Pessoas que trabalham muitas horas no computador dependem de sua postura, altura e comprimento dos braços da pessoa. No meu consultório, sempre faço o exame para pessoa com estas necessidades, de forma personalizada, usando um suporte com inclinação para apoiar a tabela de leitura de perto na distância que a pessoa utiliza no seu dia a dia seu computador, procurando adequar as dioptrias a sua real necessidade quanto a distância de foco.
Uma técnica simples mas que disponibiliza uma visão perfeita para uma distância necessária à determinada função específica.
Sempre aconselho que os óculos para uso no computador seja feito somente para esta atividade, porque terá uma visão nítida à esta distância onde trabalha a maior parte do tempo.
De modo geral, são utilizados os multifocais para todas as atividades, mas dificilmente terão o mesmo desempenho da visão do que utilizando uma correção específica para cada função e distância.
O mesmo se dá ao se prescrever correção para profissionais que necessitam de visão muito próxima, como quem faz crochê ou trabalha com pinturas diminutas. Atendi outro dia, um artista que faz pinturas em grãos de arroz. Claro que para prescrever esta correção, se faz necessário uma dioptria específica para a distância de trabalho da pessoa e que será utilizada somente durante tal atividade.
São particularidades de quem tem necessidades especiais, onde certamente se incluem pessoas com baixa visão, quando são indicados vários tipos de lentes com características necessárias à cada tipo de disfunção visual, pincipalmente portadores de DMRI e outras degenerações de retina (sobretudo foveais), provocadas por patologias diversas. Uma das prescrições mais solicitadas são as "lentes de aumento, prismáticas" com dioptrias com capacidades de aumentar as imagens em várias vezes.
Por exemplo: Óculos de 4x6?.. A lente será fabricada com 16 dioptrias positivas e com 6 dioptrias de prisma com base nasal, (para permitir uma convergência adequada) e estará aumentando a imagem em 4 vezes, ajustando e permitindo uma condição de visão ao portador de disfunção foveal. A quantidade do aumento e do respectivo prisma, será indicada conforme a perda de visão do paciente. A distância para que a pessoa consiga foco com seus novos óculos será bem mais perto, sendo importante um treinamento antes do uso.
Muitas são as adequações que vão desde as dioptrias necessários para cada pessoa obter a melhor condição ao seu caso, como em determinadas necessidades de lentes coloridas com cores específicas, denominadas "lentes terapêuticas".
Todo o conhecimento depende de estudos e muita vontade de aprender para poder ser útil à sociedade apresentando um trabalho personalizado e de qualidade.
Professor Vilmario Antonio Guitel
BACHAREL EM OPTOMETRIA
Optometrista, OD - Regional SP CROOSP 02.003
Técnico em Óptica e Lentes de Contato - SENAC SP
Pós Graduação Alta Optometria Pediátrica - UNC - SC
Pós Graduação Magistério do Curso Superior - UNC - SC
Especialista em Fototerapia Syntonic - Inst. Thea, Florianópolis SC
Optometria Comportamental - Inst. Thea, Florianópolis SC
Colunista Opticanet - Categoria: Colunas & Artigos