Um mercado amplo, altamente competitivo e pulverizado, em pleno processo de transformação, assim pode ser descrito o mercado ótico nacional. Hoje, existem por volta de 30 mil óticas, distribuídas em todo o território brasileiro, sendo apenas três mil lojas pertencentes às grandes redes. Há ainda um grande potencial para crescimento e aperfeiçoamento dos portfólios e serviços oferecidos aos consumidores.
Diante deste cenário, as empresas do setor se encontram em um momento crítico, que contempla ao mesmo tempo grandes desafios e boas oportunidades de negócios. As empresas que já têm uma proposta de negócios bem definida, clara e objetiva, para atender aos consumidores de maneira diferenciada e qualificada, tendem a se destacar, ampliar as vendas e conquistar maior participação de mercado. Em contrapartida, as demais precisam buscar com urgência esta definição para garantir sua competitividade e sobrevivência.
No setor ótico, a concentração de mercado será bem mais lenta, diferentemente dos mercados supermercadista, de eletroeletrônicos, farmacêutico e de calçados, mas certamente ocorrerá no longo prazo e somente aquelas companhias com propostas fortes, coerentes e disseminadas entre os consumidores conseguirão manter e consolidar suas marcas e reputações.
No contexto atual percebe-se que as grandes redes se movimentam para vender produtos best sellers (com alto giro), oferecendo óculos de grifes internacionais a preços justos e com condições de pagamento acessíveis. Estão investindo na qualificação de seu portfólio e na constatação de que os óculos não são só uma necessidade para a saúde visual, mas um acessório de moda importante. Seu caminho para ampliar as vendas e a rentabilidade é conquistar um número maior de consumidores com produtos sofisticados e de alta qualidade.
As redes médias e pequenas, por sua vez, estão focando no incremento das vendas de produtos de prescrição médica, com modelos diferenciados, para conquistar clientes que exigem algo mais exclusivo e estão dispostos a pagar mais, em função da diferenciação e do valor agregado. Ou seja, as redes já estão com propostas bem delineadas para conquistar seus consumidores.
Já algumas empresas óticas independentes, que ainda têm projetos de negócios indefinidos, tendem a passar por dificuldades a partir de agora. Isto porque o que definirá o sucesso ou fracasso nos próximos cinco anos não será o tamanho da empresa e, principalmente, a clareza do posicionamento e da estratégia de negócios.
Com uma proposta de negócios bem definida, a empresa pode estruturar toda a sua operação visando objetivos e metas viáveis - até mesmo agressivas, com a prática de uma política de precificação coerente. Sendo assim, reduzir os preços pode ser a melhor alternativa, dependendo do foco estabelecido pela empresa, e resultar em uma boa notícia para o setor como um todo. Isto porque amplia o número de fornecedores e atende às expectativas dos clientes por produtos de marcas mais renomadas e de qualidade indiscutível.
Afinal, ao encontrar no Brasil óculos de uma grife internacional por R$ 300,00 e condições de pagamento facilitadas, o consumidor percebe que não precisa mais adiar a compra até que surja uma viagem ao exterior e se conscientiza de que é possível ter mais de um óculos para compor seu estilo e se adequar às mais variadas situações cotidianas. Outra boa notícia é que esta escolha pode ser feita entre mais de 500 marcas de óculos, entre private label, marcas locais e internacionais, que estão entre os objetos de desejo.
Chegou a hora das empresas óticas definirem seus papéis no mercado, com propostas de negócios mais tangíveis e adequadas às demandas de consumo. Isto fortalecerá não só cada empresa individualmente, mas o setor como um todo. Ao conhecer as diferentes propostas de negócios, os consumidores terão mais opções de compra no mercado formal e menor interesse em recorrer ao mercado informal e a pirataria, beneficiando todos os elos da cadeia produtiva e comercial. O futuro do mercado será o resultado das posições assumidas agora.