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Saúde visual na Inglaterra X Saúde visual no Brasil

Artigo Vilmário Antonio Guitel para Opticanet

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Talvez seja um pouco complicado, mas não impossível tentar traçar um paralelo entre a atenção que é dada aos brasileiros e àquela proporcionada à população inglesa, no tocante a Saúde Visual. Principalmente quando se tem em mãos um relato de uma brasileira, residente no país inglês e de onde podemos extrair "notícias reais".

Claro está que no Brasil, como a Optometria é uma atividade nova no contexto das profissões de saúde, ela ainda não foi percebida, tampouco utilizada pelas autoridades como deveria ser. Em todos os níveis, tanto municipal, estadual e federal, os mentores em Saúde Pública, ainda não conseguiram captar ou se atentar para a importância da visão para toda a população, e da possibilidade que se abriu com a inserção da Optometria entre as profissões de saúde. 

Se em pessoas adultas uma visão de qualidade é fundamental tanto no seu dia a dia, como nas atividades laborais, o que se dirá para as crianças: elas dependem fundamentalmente, desde o nascimento, da eficiência da visão para todo seu desenvolvimento. Para iniciar a andar, falar, aprender a ler e escrever, interpretar rostos e tudo que irão desenvolver na infância, sempre a visão estará no centro do aprendizado, compondo com os demais sentidos a compreensão do todo para um bom e completo desenvolvimento. Faltou visão, atrasa todo o processo e podem aparecer sequelas.

É inexplicável que as autoridades não façam uma Lei que exija obrigatoriedade de avaliação da visão em recém nascidos e em alunos que ingressam no estudo fundamental. Quem sabe, os mentores em Saúde Pública, que logo estarão ingressando com os novos governos, abram seus olhos (ou seu cérebro), para tão clara evidência da exigência que a Saúde Visual tem para o próprio desenvolvimento de um país. 

A matéria que segue, foi extraída de texto enviado pela brasileira Solange Silberschlag Beglin, de origem gaúcha, radicada na Inglaterra, a quem solicitei permissão, e ela gentilmente permitiu esta publicação.


Saúde na Inglaterra
Consulta com optometrista
Solange Silberschlag Beglin - -Data: 15/05/2016


"A saúde aqui na Inglaterra é de certa forma diferente do Brasil, relata Solange, pois aqui ninguém precisa de plano de saúde privado para consultar com bons médicos. O Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) é totalmente gratuito aos cidadãos britânicos e europeus residentes no país." 
"Depois de ter morado com a família em diferentes países europeus nas duas últimas décadas e experimentado a realidade (muitas vezes precária) dos serviços de saúde na Itália e França, por exemplo, posso tranquilamente afirmar que o sistema aqui na Inglaterra é muito bom. Além de não desembolsar um centavo em planos de saúde, consultas, exames ou hospitalizações, recebemos serviços e atendimentos de qualidade."
"No entanto, aqui não temos a liberdade de escolher o médico (no Brasil também não), com o qual iremos consultar pois o modelo de saúde daqui é baseado no direito universal de tratamento médico a todos e focado na prevenção. Ou seja, atendimento médico primário acontece nos postos de saúde espalhados em todo território, tanto em zonas urbanas quanto rurais."


Esqueça consultas demoradas com médico especialista! Independente do problema, o ponto de partida é sempre com uma visita ao clínico geral no posto de saúde local, que é também considerado pelos ingleses como médico de família. Conforme a gravidade do problema e avaliação do médico de família o paciente é então encaminhado ao especialista que geralmente atende em clínicas e ambulatórios junto aos hospitais. A grande maioria dos pacientes recebe tratamento diretamente no posto local e resolve o problema ali. 

Exames ginecológicos, como pré-câncer ou colocação de DIU, são realizados por enfermeiras. Aos especialistas são encaminhados somente casos mais graves ou que preveem exames aprofundados.

Enquanto ai no Brasil os pais correm para o consultório do pediatra (ou - pior! - o chamam pelo WhatsApp) quando o filho está febril, por aqui, uma consulta com pediatra, só em casos extremos. Como exemplo, meus três filhos, nos últimos 15 anos desde que a mais velha nasceu, jamais consultaram com um pediatra na Inglaterra e isso não quer dizer que nunca ficaram doentes! Problemas comuns da infância, como inflamação na garganta, dor de ouvido, alergias, viroses entre tantos outros, são resolvidos rapidamente no posto local, com o médico de família ou com enfermeira pediátrica. O mesmo vale para problemas de visão.
 
Ninguém consulta com oftalmologista para fazer exames de visão ou trocar as lentes dos óculos. Em qualquer área, o médico especialista aqui é muito valorizado e seu trabalho é voltado para a patologia enquanto outros profissionais da saúde atuam nos casos de rotina sem nenhuma dificuldade. 
 
 

Optometristas na Inglaterra são responsáveis pelos exames de refração e prescrição de óculos além de encaminhar pacientes com problemas patológicos ao médico especialista. Profissionais com diploma universitário e reconhecidos pelo Conselho Nacional de Ótica, os optometristas são parte integral do programa de saúde pública e medicina preventiva do NHS, atuando em clínicas de visão junto a farmácias e óticas. 

A prevenção inicia logo no nascimento da criança quando são feitos testes de visão e audição em todos recém-nascidos. O programa de saúde infantil assegura a todas crianças exames de acuidade visual anual e gratuita. Desde o nascimento até os 18 anos o acompanhamento da saúde dos olhos das crianças é realizado pelo optometrista e continua depois na vida adulta.


Graças a este programa anual de exames de rotina, sem ter percebido nenhum sintoma em casa ou na escola, recentemente durante uma consulta com o optometrista descobrimos que nossa filha mais nova apresentava problemas de visão.
 
Com a prescrição do optometrista em mãos, nossa caçula escolheu seu novo acessório na própria clínica da rede de farmácias Boots onde consultamos. E melhor ainda, tudo sem custo algum, pois a consulta, exames e óculos para crianças e estudantes até 18 anos são totalmente gratuitos pelo sistema nacional de saúde britânico.

 

"Este exemplo de Sistema de Saúde deveria ser seguido por nossos administradores de Saúde. Infelizmente, no Brasil, os governantes pouco se preocupam com a saúde visual das crianças, como o fazem as autoridades inglesas. Solange Silberschlag Beglin." 

Outra informação, agora do Brasil:

"A rede Globo apresentou campanha cívica e institucional para divulgar o teste do reflexo vermelho (teste do olhinho) entre a população e para torná-lo obrigatório em todo o território nacional. A campanha foi fruto da parceria estabelecida entre o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Estima-se que no Brasil existam entre 25 mil a 30 mil crianças cegas e outras 140 mil portadoras de baixa visão.
 
Na maioria dos serviços de neonatologia do País, os olhos dos recém-nascidos não são adequadamente examinados e, como resultado, mais de 50% dos casos problemáticos só são descobertos tardiamente, quando a cura é impossível ou muito mais trabalhosa. Assim, por exemplo, estudos apontam que o retinoblastoma, tumor maligno que tem seu pico de incidência em torno de 18 meses de idade, no Brasil é diagnosticado tardiamente em 60% dos casos, quando já não é possível salvar o olho ou mesmo a vida da criança.
 
Os entendimentos entre médicos oftalmologistas e pediatras permitiram que fosse colocado em prática amplo programa de treinamento em vários Estados que contaram com a participação de centenas de médicos pediatras.
 
As duas entidades representativas das duas especialidades médicas elaboraram um documento intitulado "Carta Aberta aos gestores de Saúde e Legisladores Brasileiros" no qual defendem a adoção de medidas legais para tornar obrigatório o teste do olhinho em todo o País, seja através de lei federal, seja através de legislações estaduais e municipais." 

Com certeza, na atualidade, o profissional melhor qualificado (e mais econômico para a gestão), é o optometrista (com especialização e treinamento em pediátrica), para resolver esta lacuna da Saúde Visual em neonatos e em todo o desenvolvimento infanto/juvenil. 

Estes relatos nos leva a comparar os sistemas: enquanto na Inglaterra os exames e os óculos são gratuitos até a idade de 18 anos e executados por optometristas, no Brasil, não existe nenhuma atenção para pessoas nesta faixa etária, que é justamente a fase do desenvolvimento e do aprendizado.
 
Pelo contrário, aqui algumas autoridades até proíbem o trabalho dos optometristas, enquanto lá, eles são os primeiros a avaliar a visão da população e trabalham com liberdade em Casas de Óptica, farmácias e consultórios, atendendo a todos que necessitam exames e para adquirir seus óculos ou lentes de contato. 

Talvez seja hora das autoridades repensarem a Saúde Visual e principalmente sobre um melhor aproveitamento da mão de obra tão importante e qualificada como é a atividade do optometrista. Tanto no Brasil como na Inglaterra, o optometrista, para poder atuar, precisa obrigatoriamente possuir, além de formação regular junto ao Ministério da Educação, Curso de Especialização em Optometria Pediátrica e Comportamental, devendo para o exercício da profissão, ter registro e autorização de seu Conselho de Classe, que é o órgão fiscalizador da profissão.

O Conselho de Óptica e Optometria de SP, tem ofertado cursos de especialização, entre eles em "Atendimento Infantil" para melhor qualificação dos profissionais com formação em Optometria. Além do que, após anos de formação em curso superior e Pós Graduações, os optometristas já possuem qualificação em várias especialidades como: 

* Optometria Clínica
* Optometria Preventiva
* Optometria Geriátrica
* Optometria Pediátrica
* Optometria Desportiva
* Optometria Comportamental
* Neuro Optometria
* Optometrista especialista em Fototerapia Syntonic
* Optometrista Especialista em Reabilitação Visual e Transtornos da binocularidade.

Agradecimento especial à Solange Silberschlag Beglin. 

Professor Vilmario Antonio Guitel - junho, 2018
CROOSP 02.003
CBOO 00050/Regional SP

Técnico em Óptica - SENAC SP
Bacharel em Optometria - UNC - Canoinhas SC
Pós Graduado Alta Optometria - UNC
Pós Graduado Magistério do Curso Superior - UNC
Especialista em Optometria Sintônica - Instituto Thea Florianópolis SC
Optometrista Comportamental - Instituto Thea
Colunista Opticanet - Categoria: Colunas & Artigos
Fonte: Vilmario Antonio Guitel

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