Vaidade, Projeção e Resiliência.

Artigo Nice Garcia / Técnica em Óptica e Coaching em Óptica

"Vaidade de vaidade! Diz o pregador; vaidade de vaidade! Tudo é vaidade."
(Ec 1.2. Bíblia)
"Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons"
Sigmund Schlomo Freud.

Bora lá, vamos fazer um pequeno parêntese nos artigos em que debatemos Motivação, e vamos adentrar um pouco em um dos campos, que tem minado muito profissional excelente: a Vaidade. E não irei aqui me referir à questão de Dress Code ou de ser uma pessoa focada em moda, mas sim ao termo relacionado ao narcisismo e a supervalorização do status quo.

Em tempos de crise, vejo muitos profissionais e até por sermos do ramo óptico, óbvio que acabo por me deparar com muitos profissionais dentro de diversos setores de nosso segmento, arraigados em seus respectivos passados.
 
Sem olhar para o novo, para novas realidades e principalmente presos pela imagem do que já foram. Sim, e como vejo isso, gosto de citar um exemplo bem interessante de uma comédia romântica (pode parecer irônico, mas filmes não baseados em fatos reais, às vezes tem algo a ensinar, e muitos são inspiradores), "Letra? e? Música", onde a personagem Alex Fletcher se acomodou, entrou na zona de conforto de ser um ex astro do cenário pop. E para reerguer sua carreira teria que contar com o auxilio de uma jovem romancista. Meu conselho assista ao filme, sem se apegar ao fator romântico, mas o analise, a personagem ao longo da estória mostra o comodismo de ter sido uma estrela em seu segmento, preso a glória que teve no passado.

Vamos olhar isso de forma verticalizada, quantas vezes você já olhou para si e narrou detalhadamente suas glórias passadas em vendas? Não que isso seja de todo mal, mas eu ouço muito frases como: fui campeão em vendas de
época tal a tal; fui gerente, fui empresário, e? Quando pergunto e agora, o que aconteceu, o que você tem feito? Vem à projeção (elemento psicológico ligado ao Ego e Id que nos conduz a culpar outras pessoas por nossas falhas), muitas das vezes somos incapazes de olharmos de um modo cru e direto nossos erros. E gastamos uma energia quase infinita na projeção dessas falhas, ao invés de buscarmos uma solução para o que se faz necessário.
 
Irei dar um exemplo muito pessoal, fui sócia de uma ótica durante um período de minha vida, e em dado momento houve a dissolução da sociedade, e eu tive que recomeçar. Poderia ter feito ou ainda estar fazendo o conhecido: à culpa é disso, daquilo, da crise. Não que eu seja melhor do que alguém, mas me apeguei a um termo designado resiliência (Na área da psicologia, a resiliência é a capacidade de uma pessoa lidar com seus próprios problemas, vencer obstáculos e não ceder à pressão seja qual for à situação. A teoria diz que resiliência é a possibilidade do indivíduo de tomar uma decisão quando tem a chance de tomar uma atitude que é correta, e ao mesmo tempo tem medo do que isso possa ocasionar. A resiliência demonstra se uma pessoa sabe ou não funcionar bem sob pressão). Já na área da administração é a habilidade inata ou não, de se recuperar de uma grande perda.

Recomeçar do Zero! Isso é resiliência, cair e saber se levantar, simples... Só que não. Tive que me desapegar do quê eu fui, e para me aprimorar, voltei a estudar (algo que faço sempre) com mais afinco para não ser uma profissional presa ao passado, recomecei com vendas para custear o que eu precisava na época. E caro leitor, não tenho vergonha alguma de dizer que o prazer de se reconstruir após uma perda é uma experiência enriquecedora. E quantas vezes forem necessárias seguiria o mesmo rumo. Sempre cito Steve Jobs "trabalhe naquilo que ama",?e eu sou devota do segmento óptico, uma paixão registrada até na derme.

Esse artigo não tem por intuito ser um desabafo, muito pelo contrário, eu almejo te trazer um olhar diferente sobre o seu cenário individual.

Se você é um empresário do segmento e está enfrentando uma adversidade por um projeto não ter trazido o resultado esperado, não se apegue a vaidade de não reconhecer as falhas, e tão pouco use a projeção para buscar culpados, simplesmente analise de inicio a fim o que ocorreu, tenha a humildade de reiniciar, seja resiliente, estude os pontos fortes e falhos, ponderando riscos, mas arrisque-se.

Se você é gestor e está passando por uma situação equivalente de perda, não se prenda a vaidade e busque auxilio, estude e enxergue seus erros como aprendizados necessários para seu crescimento, não fixe ao passado de
números gloriosos, mas atualize-se para fazer o melhor pela empresa que representa e por sua equipe. Se você é consultor, estude, e se você desamina quando uma negociação torna-se orçamento, não projete na situação, mas
analise o que você pode melhorar e não perca o foco de seu crescimento.

Agora, se você caro leitor está desempregado ou desmotivado, não se apegue ao cargo ou experiência que você tem ou teve fazendo-se mártir da situação, não projete a situação eximindo-se de uma autoanálise, mas tenha em si a
seguinte certeza: não existem histórias de sucesso, que não tenham passado por um momento de reconstrução, e isso escrevo embasada nos grandes administradores, que tiveram que ser resilientes e refazer suas histórias tanto
pessoais quanto profissionais.

Não seja como a personagem do filme que eu citei que ainda cantava: "Há anos que repito pra mim a mesma velha história, de que sou feliz vivendo da antiga glória", desprenda-se e arrisque-se.

E por fim deixo um raciocínio quase unanime entre os pais da psicanalise e da filosofia, o maior sabotador de seus projetos é você mesmo. Bora largar a vaidade, deixar de fazer projeções desnecessárias, e vamos ser
resilientes diariamente?

Próximos artigos farão a conexão entre Metas, Motivação e Seu Balcão.

Nice Garcia
Técnica em Óptica e Coaching em Óptica
"Reposicionando Mindsets Ópticos"
Entusiasta e Apaixonada por Óptica
[email protected]
Fonte: Nice Garcia

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