Me considero uma pessoa privilegiada e esclarecida, contudo, assim como a maioria das pessoas, negligencio a própria saúde. Já a algum tempo, vinha sentindo dificuldades visuais, as quais, atribuía sempre à minha presbiopia e não me importava tanto, pois podia enxergar com os óculos.
Como professor de vendas e atendimento da FIEP em Salvador, e, tendo como colega o dileto amigo Artemir Bezerra, reportei a ele meus sintomas, e logo recebi um convite para ir ao seu consultório para uma avaliação. Feito isto, este competente optometrista identificou uma catarata em evolução e ainda uma anormalidade na minha retina. Após este diagnóstico, rapidamente este excelente profissional me aconselhou procurar um oftalmologista.
Dito e feito! O oftalmologista após exames de rotina falou: - Luiz, você está com uma "cataratona em evolução e uma alteração na mácula" e precisa operar imediatamente. Apesar de um pouco alarmado mantive a calma e iniciei os procedimentos pré operatórios.
Nesta semana fiz a cirurgia do olho esquerdo e estou aguardando outros procedimentos para operar o olho direito.
Logo no primeiro dia após a cirurgia, um espetáculo de luz e cores do olho esquerdo contrastava com a opacidade do olho direito, ainda não operado.
Comigo tudo bem, mas, e com a população menos favorecida da zona rural e periferias das cidades? Estas pessoas não conseguem acesso aos serviços de saúde, como também desconhecem a gravidade dos seus problemas de visão.
Por me tornar uma testemunha ocular desta história, e, por acreditar nesta profissão tão digna e honrada, defendo a tese de que as duas especialidades (oftalmologia e optometria) não se confundem nem competem entre si, antes de tudo elas são complementares e extremamente úteis neste Brasil de dimensões continentais colossais.
Meu desejo é ver o corporativismo e o egoísmo ceder lugar ao realismo da cegueira que atinge os pobres de assistência.