Ronaldo, conte-nos um pouco de sua carreira até chegar no time do Marcos Amaro na Carol.
Ronaldo Pereira: Tive um breve passagem no setor de varejo de roupa (Grupo Chocolate) ainda na Faculdade, mas realmente iniciei minha carreira no Citibank com trainee onde fiquei por dois anos, depois passei por bancos como Banco Mercantil de São Paulo (Finasa) e por último Banco Industrial (Bic) sempre na área Midle e Corporate, até ser convidado para participar de um processo de turn around na GO, posteriormente assumindo a Direção Geral, por lá fiquei por 6 anos até aparecer o desafio da Carol em 2009, por onde estou até hoje....
Como está sendo, deste outubro de 2010, liderar um dos grupos mais fortes do setor?
Ronaldo Pereira: Na verdade, desde outubro de 2009. Está sendo fantástica essa experiência de varejo franquia, que é totalmente diferente do varejo normal. Acreditamos muito que estamos no caminho certo e nosso franqueado reconhece isso.
Hoje a sua rede conta com quantas lojas franqueadas e próprias?
Ronaldo Pereira: São 293 franquias e 10 próprias
Hoje temos as três maiores redes em número de lojas (Carol, Diniz e a Fototica) falando em números de semelhantes. A Fototica quer atingir 500 loas até 2012, a Diniz deve chegar a 500, e segundo uma recente entrevista sua, a Carol está prevendo 600 para 2013. Isso mostra que o varejo óptico é mesmo um negócio de
grande potencial no Brasil?
Ronaldo Pereira: Se isso acontecer essas 3 redes não representarão 5% do total de lojas do Brasil. Isso é muito pouco ainda. Acredito que nós e as outras redes podem crescer muito ainda.
Você acha que os profissionais desse segmento pecam no atendimento por qual razão: falta de treinamento ou baixa remuneração?
Ronaldo Pereira: Ambos. Nosso setor ficou enclausurado por muito tempo. Só se contratava por relacionamento e tinha um slogan que o setor óptico é muito complicado. Com isso o profissional de fora era parcialmente boicotado. Esse marasmo fez ficar bem atrás de outros setores como farmacêutico, supermercadista, bebidas, etc....
Como você enxerga as cooperativas e Grupos de compras do mercado óptico? São concorrentes diretos ou é um ouro público?
Ronaldo Pereira: São concorrentes sim, mas estão longe de serem redes. Pra mim as cooperativas um modelo clássico de uma atividade da categoria com o objetivo único de pool de compras com benefícios diferenciados para os gestores e cooperados. Agora pensar em padronização, atendimento único, etc...etc... é utopia em cooperativas. No nosso caso que temos mesmos layout, comunicação visual, treinamento, convenção, programas de relacionamento, etc.. etc.. já é bastante difícil, que dirá nas cooperativas. Agora claro são concorrentes como lojas independentes também são.
Apesar de termos um cenário de crescimento e prospecção forte, quais os maiores desafios e pontos de melhoria no universo óptico?
Ronaldo Pereira: Pra mim o principal é a INFORMALIDADE. Se partirmos do princípio que temos 25mil lojas, onde acreditamos que 80% são informais, como conseguiremos estruturar nosso varejo? Só teremos um setor forte, com redes fortes e com um consumidor comprador quando resolvermos isso. A credibilidade do consumidor no nosso setor é muito baixa.
Recentemente você esteve em Nova York no congresso de varejo. Conte um pouco sobre esta participação e as novidades.
Ronaldo Pereira: Sempre gostei olhar fora da caixa. Essa feira é muito bacana pra sair do mundo óptico e ver como estamos atrasados. Ótimo porque mostra oportunidade. Acredito que termos lojas mais tecnológicas, explorando mais a magia e encantando o consumidor pela praticidade. Interação com informação, sem perder a qualidade do consultor.
Sendo a Opticanet um portal para profissional de óptica, qual mensagem deixa para nossos leitores?
Ronaldo Pereira: A Opticanet apostou na rede virtual muito antes de qualquer um outro no nosso setor, ou seja, ousou forte. Talvez por isso hoje esteja colhendo frutos de falar com um geração ávida por conteúdo qualificado num linguagem mais simples e direta. Parabéns.
Meu conselho aproveitem o setor que estão, porque falamos que o Brasil é a bola da vez, agora o ramo óptico pode ser a bola da vez dentro do Brasil.