Na época da guerra do Golfo, Bernard Arnault, diretor presidente do LVMH, hoje o maior grupo de luxo do mundo, possuía apenas a marca Dior. A grife era símbolo de sofisticação e glamour, mas estava longe de ser a atual potência mundial. A decolagem da empresa, no entanto, deveu-se apenas a dois motivos: um acessório diferenciado e uma estrela de verdade.
"Lady, Lady Di, Lady Dior", anunciava o dossiê de imprensa no desfile de alta costura em 1995. Nesse momento, a bolsa tinha acabado de encontrar uma musa que iria ajudá-la a tornar-se ícone de luxo. A peça existia há mais de um ano e dentro da empresa era chamada de "chouchou", porque já era favorita. Mas a preferência não estava refletida nas clientes Dior, ainda não convencidas pelo modelo.
A história mudou radicalmente com a visita da princesa Diana à Paris, para a abertura da exposição de Cézanne, no Grand Palais. Bernadette Chirac era a primeira-dama francesa e telefonou para a Maison Dior para encontrar uma ideia de presente. Bernard Arnaud sugeriu então a chouchou. A princesa, alvo de milhares de paparazzi, foi fotografada com sua nova aquisição durante a exposição.
Sucesso imediato: salto nas vendas e centenas de novas lojas
Alguns dias depois, durante visita a um centro de educação para crianças em Birmingham, ela foi novamente fotografada segurando a bolsa Dior. A foto ganhou fama mundial. Nasceu então o mito: "Lady, Lady Di, Lady Dior", um objeto que, ao lado de Diana, simbolizava o que todas as mulheres do mundo desejavam.
Em tempo recorde, Dior vendeu 200 mil exemplares. A receita e os lucros gerados regularmente pelas vendas da Lady Dior permitiram financiar o renascimento do prêt-à-porter. A marca ainda contratou John Galliano no ano seguinte, para sua coleção de alta costura, e abriu mais de 200 lojas em todo o mundo.
Assim, Dior entrou num espiral virtuoso. Desde essa época os acessórios passaram a representar mais de 60% do volume de vendas. Até hoje, o modelo Lady Dior continua sendo o best-seller da marca, que se apoia em diversas reedições limitadas (foto). Com isso, ganham destaque também os pequenos artigos em couro, como capas para celular e iPods, que hoje fazem parte da coleção de quase todas as marcas de luxo do mundo.