Uma bengala e um cão-guia já não são as únicas alternativas de independência para pessoas que têm visão subnormal. Os portadores de baixa qualidade e quantidade de visão dispõem de recursos variados atualmente, desenvolvidos pela indústria e adequados a cada caso conforme avaliação médica.
A visão subnormal é diagnosticada, pelos oftalmologistas, quando não tem mais condições de ser corrigida ou melhorada com tratamento cirúrgico ou utilização de óculos e lentes convencionais de ajuste refrativo.
Causa - A visão subnormal pode originar-se, por exemplo, em uma degeneração macular senil; em uma retinopatia diabética; em um glaucoma; em uma toxoplasmose; uma catarata congênita; uma retinose pigmentar, adquiridos ou de fundo genético.
Especializada no tratamento desta patologia, a médica do Hospital Oftalmológico de Brasília, Dorotéia Matsuura, diz que a visão subnormal sempre existiu e tem variadas causas, mas vem aparecendo com maior freqüência atualmente em conseqüência do ganho de anos de vida e envelhecimento da população. "Então, aparecem os problemas originados por conseqüência de outras doenças, são os casos adquiridos", explica.
De acordo com os relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), o ângulo de 20/20 é o ideal para a visão normal de uma pessoa. Com esse padrão, é possível perceber a realidade sem necessitar de qualquer correção, refrativa, ou seja as imagens se formam clara e naturalmente sem a interferência de qualquer ajuste. Quando o nível de acuidade visual for de ângulo 20/60 ou ainda mais acentuado, o oftalmologista detecta que a pessoa possui uma deficiência denominada visão subnormal, contudo detém ainda um resíduo de visão que pode ser trabalhado com equipamentos capazes de permitir independência e realização de algumas atividades básicas.
Resíduo - "Otimizar esse resíduo visual, tanto no adulto, quanto na criança, é a função dos recursos existentes atualmente para que o paciente de visão subnormal possa assistir televisão, ler, estudar, preencher um cheque para realizar uma compra e, com isso, elevar muito seu ganho de vida", relaciona Dorotéia Matsuura.
Recursos - Entre os recursos existentes para aproveitar a visão restante de forma a lhe dar uma aplicação funcional foram desenvolvidos aparelhos como as tele-lupas, as lupas, os amplificadores de imagem e os óculos binoculares.
A tele-lupa é um dispositivo óptico usado para melhorar a visão em ambientes quando a ação acontece à distância, como o caso de uma peça teatral, um filme no cinema ou na televisão.
A lupa é aplicada sobre os objetos, especialmente para a leitura. O aparelho de amplificação de imagem é ideal para permitir que o paciente de visão subnormal consiga ser um usuário de computador, capacitado para ler textos no monitor.
Óculos - Conforme Dorotéia, o instrumento que tem se mostrado capaz de proporcionar maior conforto ao portador de visão subnormal atualmente são os óculos binoculares onde tele-lupas são adaptadas à armação.
Limitação - Mesmo com a utilização desses recursos, algumas ações a pessoa ainda continuará sem fazer como dirigir carros, pois não é permitido no Brasil. A médica conta, porém, que em 30 estados norte-americanos a legislação já assegura "aptidão para voltar a dirigir" ao paciente de visão subnormal, desde que tratada pelos equipamentos adequados.
Crianças - Quando uma criança quem tem visão subnormal os pais podem identificar e procurar tratamento, pois entre as evidências o portador desenvolve maneirismos, manias, espécie de tiques como bater com a mão na cabeça e esfregar os olhos, alerta a oftalmologista.