Uma pesquisa realizada por cientistas de Harvard e outra que começa na Faculdade de Oftalmologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) pretendem desenvolver um método para a aplicação de remédios por meio da lente de contato.
O estudo não é novo e já ronda a especialização há duas décadas. A diferença é que agora as pesquisas estão sendo revisitadas com o auxílio da tecnologia das nanopartículas.
A informação é do médico Rubens Belfort Jr., professor titular do departamento de Oftalmologia da Unifesp. "Busca-se o desenvolvimento da liberação programada dos medicamentos que tenham efeito na parte de trás do olho", disse.
"Há 20 anos começaram-se estudos para ministrar anti-inflamatórios e antibióticos, mas na prática não deu certo pois as substâncias irritavam muito os olhos e não atingiam concentração maior e eficiente dentro do olho e da córnea. Agora, se bem-sucedidas, as pesquisas vão significar uma revolução no tratamento de doenças da retina ou do nervo óptico (glaucoma)", disse.
Os pesquisadores de Harvard Medical School conseguiram em laboratório produzir uma lente que ministra antibióticos por 30 dias e devem dar andamento aos testes. O remédio foi misturado ao hydrogel, substância de que são feitas as lentes, ou encapsulado nas nanopartículas que depois foram incorporadas ao material.
O benefício dessa lente está no fato de que, pelo método tradicional, apenas de 1% a 7% do medicamento colocado nos olhos são de fato absorvidos pelo organismo e o restante é desperdiçado caindo pela garganta ou escorrendo pela pele.