"GÚ-tchi", "DJÍ-Mi XÚ", "DJU-ci Co-tchur". É preciso saber a pronúncia correta das grifes como Gucci, Jimmy Choo e Juicy Couture para não espantar os consumidores exigentes. A fabricante italiana de óculos Safilo treinou 4 mil pessoas das mil óticas com as quais trabalha no país para ensinar a cultura das marcas e, claro, começaram garantindo que as grifes saíssem rendodinhas das bocas dos vendedores. As pronúncias foram impressas como escritas acima, afinal fica difícil vender um óculos de R$ 2 mil e chamá-lo de "Gussi". "O balcão responde ainda por 80% da decisão de compra, então temos de fazer nossa parte", explica Renis Gabriel Filho, diretor-executivo da Safilo Brasil. O treinamento foi um dos fatores que contribuiu para um crescimento de 12% em 2008, contra os esperados 10%. E apesar do câmbio desfavorável, a companhia projeta 8% de crescimento para esse ano.
Gustavo Lourenção/Valor
Renis Gabriel Filho, da Safilo: expectativa de 8% de crescimento, baseado em lançamentos como o Dior Copacabana, primeiro da grife francesa inspirado no país
Princesinha I. "Estamos otimistas com o Brasil. A economia está estável e as pessoas continuam consumindo. E mesmo com as vendas feitas para os lojistas a US$ 1,80, vamos bancar a diferença e não aumentaremos preços para nossos clientes." Vão sustentar também as vendas a prazo para o comércio para que os parcelamentos sejam mantidos para o consumidor. Um dos principais lançamentos do ano é linha Dior Copacabana - essa é fácil de falar, né? -, a primeira da grife francesa inspirada no país. Os seis maxi-óculos trazem pedras preciosas nas hastes e seguem um estilo vintage para entrar em sintonia com a época de ouro da Bossa Nova. "Uma homenagem de uma grife como essa ao Brasil mostra a relevância que o país adquiriu no cenário internacional." Serão 900 peças distribuídas aqui apenas nos 200 pontos mais sofisticados a partir desta semana, por R$ 2 mil.
Princesinha II. A companhia, que completa dez anos no país, sustenta sua expectativa positiva no fato de que "apenas 18% do público que precisa de óculos foi atendido no país. Temos os outros 82% para trabalhar." A questão agora é normatizar o mercado, diz Gabriel Filho. Segundo ele, a boa nova é que o Inmetro vai dispor de equipamentos que checam se as lentes filtram mesmo os raios solares. "Hoje, eles só conseguem dizer se a lente distorce ou não uma imagem."
Princesinha III. Com um portfólio com grifes como Dior, Giorgio Armani, Marc Jacobs, Balenciaga, Diesel num total de 28, a Safilo está trazendo para o país a Jimmy Choo, a Juicy Couture e Banana Republic para o primeiro semestre. As marcas licenciadas respondem por 70% do resultado da empresa. Hoje, óculos de sol e de receituário dividem igualmente as vendas.