A visão dos bad boys

Os irmãos Demian e Fabiano Moraru eram "caso perdido", segundo a família.

Os irmãos Demian e Fabiano Moraru eram "caso perdido", segundo a família. Mas criaram a Evoke, uma grife global de óculos de sol cultuada por artistas, músicos e socialites
 
Os irmãos Demian e Fabiano Moraru eram vistos como uma espécie de caso perdido por alguns professores e até por familiares. É que durante a adolescência eles aprontaram muito e chegaram a repetir o ano letivo.
Resultado da "má influência" de surfistas, roqueiros, grafiteiros e skatistas com os quais eles passavam a maior parte do tempo. Graças a essas "influências", os bad boys criaram uma das grifes de óculos de sol mais descoladas do mercado. Os modelos da Evoke estão em 400 vitrines no Brasil e em 100 pontos de venda espalhados por cidades dos cinco continentes.
 
A lista inclui Nova York, Paris e Londres, onde aparecem ao lado de ícones como Ray-Ban, Gucci e Chanel. A Evoke caiu no gosto de artistas pop, como os cantores Ben Haper e Marilyn Mason, os roqueiros do Black Sabbath e a atriz Juliana Paes. Quem abriu as portas do mercado mundial foram os integrantes do grupo de heavy metal Sepultura, que assina um dos modelos. Demian e Fabiano não revelam o faturamento de sua Surfactory. Dizem apenas que estão perto de atingir a meta de R$ 100 milhões por ano, traçada em 2001. Mais que apenas um negócio, a Evoke é um projeto que mistura as várias influências desses dois jovens. Fabricado integralmente na Itália, na mesma planta que produz as grifes globais, um Evoke custa de R$ 850 a R$ 3 mil, no caso de edições limitadas. Para arrebanhar adeptos, eles lançaram mão da velha lista de contatos, formada por colegas de escola que tinham se destacado nos segmentos de esportes radicais e na música.
 
Os óculos criados pelos dois irmãos custam entre R$ 850 e R$ 3 mil, no caso de edições limitadas, o que garante um faturamento estimado em R$ 100 milhões

"Não vendemos apenas óculos, mas um estilo de vida baseado em nossas experiências", filosofa o primogênito Demian, 35 anos.
Mas o grande mérito da dupla tem sido a capacidade de traduzir em design, conceitos como atitude. Segundo Damien e Fabiano, o período em que eles estudaram no Colégio Equipe, de São Paulo, ajudou. A escola é conhecida por possuir uma atmosfera propícia à criatividade e por lá passaram o músico Nando Reis e o apresentador Serginho Groisman, por exemplo. Os integrantes do Sepultura foram apresentados por um colega comum dos tempos de colégio. A ideia de montar a Evoke surgiu durante uma temporada de surfe na Austrália, quando eles viviam uma espécie de crise existencial- profissional.
 
Demian não estava satisfeito com a carreira de publicitário e nem Fabiano com a área de administração. "Resolvemos então largar o emprego e montar um negócio próprio", conta Fabiano, 33 anos. A escolha do setor ótico veio da influência do avô, Joseph Moraru, imigrante romeno que desembarcou no Brasil no final dos anos 50. Desde então, a família representa a italiana Mazzuchelli, maior fabricante de acetato de celulose, usado na produção de armações. A segunda geração, comandada pelo pai, Andrei Moraru, falecido no início do ano, diversificou o negócio e dominou 90% do mercado brasileiro de máquinas, peças e matéria-prima para o setor. Hoje, essa empresa também é tocada pelos herdeiros.
 
O sobrenome ajudou a abrir as portas para fornecedores e fabricantes. Os modelos Evoke são desenhados pelos irmãos e o parceiro de surfe Gustavo Martins, diretor de marketing da Surfactory, Desde 2001, eles já investiram o equivalente a US$ 10 milhões. Até o final do ano, eles pretendem colocar no mercado a primeira linha de óculos de grau da Evoke. O projeto surgiu após um pedido feito pela consultora de moda Costanza Pascolato. Além disso, a marca está gerando filhote. Até agosto será criada a linha EVK, destinada a ampliar a faixa de penetração da grife e que será vendida por um preço entre R$ 200 e R$ 400. Os modelos, de inspiração vintage, vão atender à necessidade dos lojistas de trocar o mostruário em uma velocidade cada vez maior. Hoje, a dupla lança cerca de 20 modelos por ano. Com a EVK será possível mais que dobrar esse patamar.
Fonte: IstoÉ Dinheiro

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