1- A optometria brasileira vem crescendo e conquistando seu espaço na saúde visual. Ainda assim, a população é carente neste setor. O que deve ser feito para melhorar a assistência, garantindo maior acesso da população?
Resposta:
Primeiramente é preciso reformular a gestão em saúde, de modo que Atenção Primária seja efetivada contrapondo-se ao modelo americano de cunho curativo, fundado no reducionismo biológico.
Gerando uma nova Ontologia sobre a questão Saúde e Doença no Brasil.
Disseminando a hegemonia do conceito político de que Saúde é Medicina, aceita pela maioria da população.
A Atenção Primária já foi discutida e aceita por 134 países em 1978, em uma reunião da OMS e Unicef conhecida como Alma-Ata.
Com a efetivação da Atenção Primária, em nosso País, teremos a universalização do acesso a Saúde, cria-se um atendimento multidisciplinar, a organização da atuação de profissionais de acordo com o conceito de complexidades, diminuindo a demanda de hospitais e custos ao Estado por estar privilegiando acima de tudo a prevenção.
Diante deste modelo de gestão o Optometrista é o responsável pelos cuidados primários e pela reabilitação da visão.
2. Atualmente existem profissionais de nível técnico, graduados e pós-graduados. Qual a solução para incentivar a graduação de profissionais técnicos?
Resposta:
A formação técnica foi primordial para alavancar o surgimento da Optometria no Brasil, o início de tudo, um fato histórico.
No entanto é preciso que façamos uma análise social e política.
Os amigos técnicos precisam se atentar a uma realidade vigente.
No Brasil a universidade é operacional, atrelada ao conceito de produtividade vinculada à especialização.
É palpável na pratica a ideia de que a produtividade aumenta com o grau de especialização, ou seja quanto mais especializado for o profissional maior será a sua qualidade.
A famosa ideologia da competência de Marilena Chaui.
Dessa maneira para a consolidação da Optometria no Brasil, a adequação do currículo ao ensino superior é fundamental, é o anseio da Sociedade e o principal argumento negativo contra a nossa profissão.
3- A maioria dos optometristas atuam no setor privado. O que o CROO-SP tem feito para aumentar o número de profissionais no setor público?
Resposta:
O Brasil é um país de proporções continentais, apresenta uma vasta diversidade cultural e uma complexa estrutura produtiva, o que culmina em uma contrariedade absoluta.
Desde 1990 vigora no Brasil o projeto neoliberal, substituindo o Modelo de Substituição de Importações (MSI).
A sua principal característica é a não intervenção do Estado na economia e a redução dos investimentos públicos em saúde, transportes, educação e segurança. "É o encolhimento do espaço público de direitos e o alargamento do espaço privado dos interesses de mercado(1).
No entanto o contraditório brasileiro altera o rumo, embora o plano neoliberal não contemple os ideais da classe trabalhadora, ele tem se afirmado de forma ampla na sociedade e ganhando apoio ao seu discurso privatizante, principalmente nos gastos excessivos do Estado, exercendo assim um novo domínio ideológico.
Ao contrário de uma redução do poder do Estado, como propaga a doutrina, possuímos uma carga tributária elevadíssima; destinados a exigências do capital, e a um sistema ineficiente e corrupto.
Em um País que, a saúde representa apenas 8% dos investimentos públicos, a iniciativa de mudança na atenção primária e a implementação da Optometria no SUS é uma tarefa colossal.
O CROO-SP, diante desta perspectiva negativa atua em conjunto com outros órgãos profissionais, participa de conferências de saúde do Estado, trabalha na criação de uma representação política de âmbito federal de Saúde Multidisciplinar, age na conscientização e esclarecimento de órgãos fiscalizadores como a VISA, vem agindo para mudanças no quesito jurídico atual, entre outras inúmeras iniciativas.
(1) Chaui, Marilena. A ideologia da competência, São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2014 pág 88.
4- O CROO-SP é considerado um dos conselhos mais atuantes. Quais fatores você considera mais relevantes para que a instituição conquistasse este status?
Resposta:
Com toda a certeza o fator relevante são as pessoas que compõem o CROO-SP.
Seus fundadores, os diretores das gestões passadas.
Todos lutaram e se doaram diante de situações gravíssimas para evolução do CROO-SP.
Grandes personalidades deixaram sua contribuição.
De modo que, podemos afirmar que o CROO-SP atualmente, logra de uma representatividade muito positiva, perante a órgãos fiscalizadores do Estado e possui uma atuação política significativa.
O que serve de escudo jurídico para os filiados, pois diante de qualquer adversidade jurídica o filiado está sob tutela do CROO-SP.
No entanto estamos ciente de que há muito para desenvolver e aperfeiçoar a nossa relação com o filiado.
Incansavelmente a atual Diretoria, busca alternativas de uma representação que atenda as expectativas do filiado.
Autores:
Augusto Cesar Faria Da Silva
Graduado em Óptica e Optometria pela Universidade Braz Cubas (UBC)
Pós graduado em Optometria
Avançada(UBC)
Pós graduando em Neuro-Optometria, visão binocular clinica (UBC)
Diretor de Coordenação do Conselho Regional de Óptica e Optometria do Estado de São Paulo
Augusto Cesar Torres
Graduação em Optometria UNESA RJ
Pós graduado em Optometria Avançada(UBC)
Pós graduando em Neuro-Optometria, visão binocular clinica (UBC)