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Pirataria faz 40% das vendas de óculos

A indústria brasileira de óculos deflagra uma ofensiva inédita para coibir o mercado ilegal, de produtos piratas e contrabandeados, cujo tamanho corresponde a cerca de 40% das vendas do setor.

A indústria brasileira de óculos deflagra uma ofensiva inédita para coibir o mercado ilegal, de produtos piratas e contrabandeados, cujo tamanho corresponde a cerca de 40% das vendas do setor.

Depois de ter identificado a pirataria entre vendedores ambulantes, a Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica) está pondo na rua uma campanha nacional para conscientizar óticas, lojas e pontos de venda formais. A mensagem é: a comercialização de óculos ilegais vai levar à apreensão de mercadorias e fechamento de estabelecimentos, com o apoio da Polícia Federal e Receita Federal, entre outras autoridades.

O presidente da Abióptica, Bento Alcoforado, conta que a ideia é primeiro fazer um trabalho para convencer o varejo que vende produtos ilegais misturados aos formais a migrar para a legalidade. O executivo diz que será criado um selo de qualidade para informar o consumidor que a loja só vende produtos 100% legais.

Foram apreendidos, só neste ano, 9 milhões de óculos. E o volume acumulado desde 2006 é de 31,8 milhões de unidades. Pesquisa realizada pelo Instituto Gallup a pedido da Abióptica, em 2007, mas ainda não divulgada, mostra que o comércio legal, que responde por cerca de 80% das vendas do setor, é também um dos maiores distribuidores dos produtos ilegais, já que 58% dos comerciantes afirmaram que existe ilegalidade entre as lojas. Alcoforado diz que a falsificação de óculos, em volume, só perde para CDs e DVDs.

Segundo a Abióptica, só as vendas de óculos ilegais pelo comércio formal gera um prejuízo de R$ 300 milhões por ano. As importadoras Safilo, representante no Brasil de marcas como Dolce & Gabbana e Hugo Boss, e Marchon, que importa grifes como Calvin Klein e Nike, estimam que poderiam vender 30% a mais por ano se o comércio ilegal não tivesse a atual proporção.

"Desde 2006 há um trabalho muito forte para combater a ilegalidade e a pirataria. Naquela época, o mercado ilegal era maior do que o formal, pois representava entre 60% e 70% (das vendas do setor). Atualmente essa relação caiu para 40%", afirma Alcoforado.

Segundo ele, de 2006 até este ano a Abióptica já investiu R$ 1,2 milhão em ações para combater o mercado ilegal de óculos. Os recursos foram usados em diversas frentes, como trabalhos de "inteligência", para fazer um mapeamento da origem e rota de comercialização no país dos produtos falsos e piratas, que são trazidos da China.

O diretor-geral da Safilo, Renis Gabriel Filho, afirma que de cada 100 óculos com algum tipo de defeito ou necessidade de reparo que recebe em sua assistência técnica, 25 são falsos. Ele conta que esses produtos são vendidos em lojas ou óticas formais, que fornecem nota fiscal. "O problema não é nem tanto a quantidade (de produtos falsos), mas o fato de que há lojas migrando para esse lado", diz ele.

O presidente da importadora Marchon, Marcos Feldman, lembra que além dos óculos falsos, há a pirataria de design. "Esse é um processo lento que tinha de ser iniciado (convencimento dos lojistas que vendem produtos ilegais). Estamos saindo da inércia", diz ele.

A radiografia da indústria brasileira de óculos feita pelo Gallup mostra que, em 2006, o mercado contava com 23.273 óticas e 4.784 estabelecimentos comerciais que vendem óculos, mas que não são focados só nesse produto. A receita média mensal de cada ótica, conforme o levantamento, era de R$ 27,6 mil, ou R$ 331,2 mil por ano.

Multiplicando a receita anual pelo total de óticas, o instituto chegou ao faturamento de R$ 7,7 bilhões. Entre as demais lojas que também vendem óculos a receita anual foi de R$ 1,1 bilhão, o que gerou um movimento no setor de R$ 8,8 bilhões em 2006. A cada ano, a Abióptica informa que é feita uma atualização dos dados de faturamento da indústria nacional, que apontaram para a receita de R$ 12,9 bilhões até junho deste ano. Esse total inclui, além dos óculos, armações, lentes e todos os tipos de máquinas para a fabricação produtos dessa indústria.

Fonte: Valor/PressTexto Comunicação

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