"Normalmente, telas usando células de cristal líquido não são projetadas para assumirem um novo formato, menos ainda um formato esférico. Dessa forma, o principal desafio foi criar um substrato esférico, muito fino, com camadas ativas que possam suportar o processo de moldagem," explicou Jelle De Smet, gerente do projeto.
Os plásticos, ou polímeros, são os candidatos ideais para isso, mas primeiro a equipe precisou estudar a influência dos polímeros sobre a tela, já que telas de cristal líquido normalmente usam substratos de vidro.
"Usando novos tipos de polímeros condutores e integrando-os em uma célula suavemente esférica, nós conseguimos fabricar uma tela de LCD em uma lente de contato," disse o pesquisador.
Realidade aumentada e lentes de sol
O protótipo consegue mostrar apenas padrões simples - como fazer você aparecer para os outros com cifrões nos olhos, no melhor estilo Tio Patinhas.
As futuras versões, contudo, deverão ter maior funcionalidade, como telas completas capazes de sobrepor imagens sobre o campo de visão normal do usuário.
Os pesquisadores esperam também que a "tela de contato" possa ser usada para propósitos médicos, como no caso de danos à íris, ou para fins cosméticos, para mudar a cor dos olhos.
A lente de contato LCD também poderá servir de base para a criação de lentes adaptáveis às condições de iluminação, reduzindo o nível de luz que chega aos olhos de maneira mais eficiente e menos incômoda do que os óculos de sol.
Antes disso, porém, os engenheiros precisarão resolver o gargalo da banda de transmissão, para que os dados possam chegar aos olhos por uma conexão sem fios.