Saúde | Visão

Casos de Sindrome do Olho Seco aumentam durante o inverno no DF

Vermelhidão, ardência, coceira, sensação de corpo estranho, fotofobia e visão embaçada são alguns dos sintomas da doença

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A chegada do inverno tem muitos significados para os moradores da região Centro-Oeste. A floração dos ipês e a beleza do céu sem nuvens vem acompanhada da baixa umidade do ar, que provoca uma série de desconfortos já velhos conhecidos dos brasilienses.  A saúde ocular é uma das mais afetadas pela estiagem que predomina nos meses de julho, agosto e setembro no DF: dados de 2018 do Serviço de Oftalmologia da Secretaria de Saúde mostram que, nessa época do ano, os atendimentos oculares aumentam em 25%, sendo a Síndrome do Olho Seco uma das maiores causas. "A síndrome do olho seco ocorre quando há evaporação excessiva das lágrimas e/ou sua produção é insuficiente. O paciente chega ao consultório geralmente com o olho bem avermelhado, se queixando de ardência, coceira, sensação de corpo estranho (areia), fotofobia, cansaço ocular, e até visão embaçada. E os fatores ambientais, como por exemplo esse clima mais seco que o habitual, a exposição excessiva do uso das telas e a própria máscara - que usada de forma inadequada, joga ar quente nos olhos -, podem acelerar a perda de lágrimas e gerar os sintomas mesmo em olhos normais", diz o oftalmologista Eduardo José Rocha, especialista em Olho Seco, Alergias, Superfície Ocular, Pterígio, Blefarite, hordéolo e calázio do Hospital Oftalmológico de Brasília, empresa do Grupo Opty no Distrito Federal.

Segundo o especialista, usuários de lentes de contato estão particularmente sujeitos a desconforto, já que a maior evaporação da lágrima aumenta o atrito das lentes com a superfície ocular, podendo provocar irritação e até mesmo lesões corneanas. A produção lacrimal também pode ser afetada ainda pelo uso de alguns medicamentos, como antidepressivos, anticoncepcionais orais e anti-histamínicos; por doenças sistêmicas (síndrome de Sjogren, artrite reumatóide e lupus) e lesões diretas às glândulas lacrimais ou às estruturas relacionadas a sua regulação, como, por exemplo, queimaduras químicas oculares. A evaporação excessiva pode surgir isoladamente ou acompanhando a diminuição da produção lacrimal e normalmente ocorre em decorrência de doenças perioculares, como a blefarite, ou pela exposição excessiva da superfície ocular. "Casos mais graves da síndrome do olho seco podem levar a alterações permanentes da superfície ocular, como aderências e cicatrizes podendo, inclusive, resultar em uma baixa significativa da visão", alerta o Dr. Eduardo.

No Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Portadores de Olho Seco (APOS), entre 13 e 24% dos brasileiros - cerca de 18 milhões de pessoas - sofrem com a doença no Brasil. Estima-se que 2/3 dos casos são evaporativos, relacionados à disfunção das glândulas meibomianas. "O filme lacrimal tem três componentes: muco, água e gordura, que equilibrados dão essa proteção ao olho. A função da camada de gordura, produzida pelas glândulas palpebrais de Meibomius, é reduzir a evaporação. Quando alterada, leva a um desequilíbrio e causa o olho seco", explica.

Estatísticas do 1º Simpósio sobre a Síndrome do Olho Seco, realizado fim de 2018, no México, apontam que cerca de 337 milhões de indivíduos já foram diagnosticados com a doença no mundo, sendo que as mulheres são potencialmente mais afetadas, cerca de 10 vezes mais do que os homens. E pesquisa da Society for Women's Health Research acrescenta que aproximadamente 61% das mulheres na perimenopausa e na menopausa sofrem com a secura e a coceira nos olhos. "Isso se deve provavelmente a ação dos hormônios, já que a baixa nos níveis hormonais afeta os tecidos oculares e a composição das lágrimas", avalia o oftalmologista.

O diagnóstico da patologia também vem aumentando entre crianças e adolescentes. Estudo publicado pelo jornal da British Contact Lens Association (BCLA), em 2021, mostrou que um dos principais responsáveis por isso é o uso prolongado dos eletrônicos. "A exposição por muito tempo a vídeos e imagens em movimento pode prejudicar a visão já que o foco nas telas reduz quase pela metade a quantidade de piscadas, o que influencia na evaporação do canal lacrimal tornando a lubrificação insuficiente e ocasionando o ressecamento dos olhos. O excesso de lacrimejamento também pode ser sintoma de olho seco, pois esse é um sinal de que os olhos estão tentando compensar a falta de umidade", completa.

Como a enfermidade não tem cura, as intervenções médicas visam aliviar os sintomas e o intuito é preservar ou repor a lágrima, mantendo a integridade da superfície ocular. Entre os tratamentos disponíveis estão lágrimas artificiais em gota, colírios imunomoduladores (que controlam o processo inflamatório da superfície ocular),  medicamentos secretagogos (que estimulam a produção de lágrima), antibióticos, utilização de aparelhos que emitem a  luz pulsada (que melhoram a função das glândulas de Meibomius) e, em situações específicas, é possível fazer a oclusão dos pontos lacrimais, diminuindo a drenagem da lágrima, que permanece por mais tempo na superfície ocular. Além disso, algumas medidas podem ser adotadas para minimizar os sintomas, como o uso de umidificadores de ambiente, evitar que o ar-condicionado ou ventilador fiquem direcionados ao rosto, programar pequenos intervalos durante o uso dos eletrônicos. "A correta identificação de fatores que contribuam para o olho seco é essencial para determinar o tratamento específico mais adequado para cada caso. Tão importante quanto um diagnóstico correto é o tratamento adequado. Ao aparecimento dos primeiros sintomas, procure seu oftalmologista ", finaliza o Dr. Eduardo Rocha.

 

Sobre o Opty

Desde 2016 o Grupo Opty agrega 25 marcas associadas, 79 unidades, 1300 médicos oftalmologistas e 2800 colaboradores atuando em todas as regiões do país. Além das marcas próprias HOBrasil (BA, DF, RJ e SP) e Centro Oftalmológico Dr. Vis (DF, PE, RJ e SC), fazem parte dos associados: o Hospital Oftalmológico de Brasília (DF), Hospital de Olhos INOB (DF), Hospital de Olhos do Gama (DF), Visão Hospital de Olhos (DF), Instituto de Olhos Freitas (BA), o DayHORC (BA), Instituto de Olhos Villas (BA), Oftalmoclin (BA),  Hospital de Olhos Santa Luzia (AL), Hospital de Olhos Sadalla Amin Ghanem (SC), Centro Oftalmológico Jaraguá do Sul (SC), Sadalla.Smart (SC), HCLOE (SP), Visclin Oftalmologia (SP), EyeCenter Oftalmologia (RJ), COSC (RJ), Oftalmax Hospital de Olhos (PE), UPO Oftalmologia - Unidade Paulista de Oftalmologia (SP), HMO - Hospital Medicina dos Olhos (SP), Visão Center (PE), OftalmoDiagnose (BA) e CEOP - Centro de Olhos do Pará (PA).

Fonte: Tríplice Comunicação

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