Saúde | Olhos

Ceratocone avança silenciosamente no Brasil e já responde por 7 em cada 10 transplantes de córnea

Levantamento aponta aumento de 273% nos transplantes ligados à doença nos últimos 10 anos. Oftalmologista alerta que sintomas iniciais costumam ser confundidos com "mudança de grau"

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Síntese Deste Conteúdo

O ceratocone preocupa especialistas no Brasil devido ao aumento de 273% nos transplantes de córnea na última década. A doença já representa 7 em cada 10 transplantes realizados no país. O diagnóstico precoce é essencial, especialmente entre adolescentes e adultos jovens, pois os primeiros sintomas podem ser confundidos com miopia ou astigmatismo. A doença provoca distorções visuais progressivas e pode comprometer a visão se não tratada adequadamente. Estimativas apontam que 150 mil brasileiros convivem com o ceratocone, com aumento nos diagnósticos em São Paulo de 160 para 542 casos entre 2024 e 2025.

O ceratocone, doença ocular progressiva que afina e deforma a córnea, tem avançado silenciosamente no Brasil e preocupado especialistas. Dados levantados a partir de relatórios da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) mostram que o número de brasileiros que chegaram ao estágio crítico da doença e precisaram de transplante de córnea aumentou 273% na última década.

Entre janeiro e março de 2015, o país registrou 13.079 pessoas com necessidade de transplante de córnea, entre pacientes transplantados e inscritos na fila. No mesmo período de 2025, esse número saltou para 35.651 brasileiros. Hoje, o ceratocone já responde por cerca de 7 em cada 10 transplantes de córnea realizados no país.

Durante o Junho Violeta, campanha de conscientização sobre a doença, oftalmologistas reforçam a importância do diagnóstico precoce, principalmente entre adolescentes e adultos jovens, faixa etária em que os primeiros sinais costumam aparecer. "O grande problema é que o ceratocone no início parece apenas um grau comum de miopia ou astigmatismo. Muitas pessoas passam anos trocando óculos sem perceber que existe uma doença progressiva acontecendo na córnea", explica o oftalmologista Dr. Hallim Féres Neto, diretor da Prisma Visão e membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

O ceratocone faz com que a córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho, fique mais fina e assuma formato semelhante ao de um cone. Isso provoca distorções visuais progressivas e pode comprometer seriamente a qualidade da visão quando não tratado adequadamente.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que aproximadamente 150 mil brasileiros convivam com a doença. Estudos internacionais apontam incidência média de um caso a cada duas mil pessoas, embora especialistas afirmem que os números podem ser ainda maiores devido à ampliação dos exames diagnósticos.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, entre janeiro e abril de 2024 foram registrados 160 diagnósticos da doença na rede pública estadual. No mesmo período de 2025, o número subiu para 542 casos.


5 sinais que podem indicar ceratocone

1. Visão borrada mesmo usando óculos - Um dos sinais mais comuns é a sensação de que os óculos &ldquonunca resolvem totalmente&rdquo a visão.
2. Grau mudando frequentemente - Trocas frequentes de receita, principalmente aumento do astigmatismo, podem ser um alerta.
3. Sensibilidade excessiva à luz - Luzes fortes, brilho intenso e dificuldade para dirigir à noite merecem atenção.
4. Halos e distorções nas luzes - Faróis, telas e lâmpadas podem parecer esticados, duplicados ou com halos.
5. Diferença importante de visão entre os olhos - Em muitos casos, um olho evolui mais rapidamente que o outro, mascarando a doença no início.


Coçar os olhos pode acelerar a doença

Outro ponto que preocupa os especialistas é o hábito de coçar os olhos, especialmente em pessoas com rinite e alergias oculares.

"Hoje sabemos que coçar os olhos é um dos principais fatores associados à progressão do ceratocone. Muitos estudos mostram uma relação muito forte entre o hábito de esfregar os olhos e o avanço da doença", afirma Hallim.

O médico explica que o tratamento evoluiu muito nos últimos anos e que o diagnóstico precoce pode evitar situações mais graves. "O crosslinking, que é um procedimento feito com riboflavina e luz ultravioleta, consegue estabilizar a córnea e reduzir em cerca de 90% a necessidade de transplante. Quanto antes diagnosticarmos, maior a chance de preservar a visão do paciente", destaca.

Nos casos mais avançados, o tratamento pode incluir lentes especiais, implante de anel intracorneano e, em situações extremas, transplante de córnea.


Dr. Hallim Feres Neto @drhallim

CRM-SP 117.127 | RQE 60732

Oftalmologia Geral
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Membro do CBO - Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Membro da ABCCR - Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa
Membro da ISRS - International Society of Refractive Surgery
Membro da AAO - American Academy of Ophthalmology

Fonte: Update

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