Ao fumar, centenas de substâncias tóxicas são jogadas para dentro de nosso organismo, e a partir daí, ficam livres para circular pela nossa corrente sanguínea, afetando órgãos vitais do nosso sistema, incluindo os olhos.
E, infelizmente, não é apenas nos fumantes ativos que o cigarro pode afetar, mas também naqueles conhecidos como fumantes passivos, as pessoas que convivem com fumantes e acabam inalando a fumaça mesmo que inconscientemente.
Quais doenças oculares o tabagismo pode causar?
Os principais sintomas de que há algo de errado com sua visão por causa do cigarro são: a síndrome do olho seco, a diplopia (quando uma pessoa vê duas imagens onde deveria ver apenas uma), a diminuição de nitidez das cores e a perda de visão noturna. Em pessoas fumantes, há uma incidência 40% maior desses problemas, pois o tabaco é responsável pela diminuição da irrigação do globo ocular.
Uma das doenças oculares mais prováveis de se aparecer em fumantes é a catarata, pois o tabaco pode prejudicar a transparência da lente natural do olho, o cristalino, a longo prazo, isso pode acelerar o processo de opacificação dessa estrutura. E como consequência, surge a catarata.
E embora se largue o hábito de fumar para diminuir o risco de desenvolver doenças, elas podem se desenvolver ainda cerca de 15 a 20 anos após a interrupção no tabaco.
Os últimos estudos
Em estudos mais recentes sobre como a fumaça do cigarro pode afetar negativamente os olhos, os pesquisadores da Universidade Farmacêutica Gifu, no Japão, destacaram que a fumaça produzida ao fumar leva à morte das células da córnea.
Revelaram que a alta exposição à fumaça do cigarro acaba gerando um acúmulo de ferro, que mata as células do epitélio da córnea, a camada mais externa do olho, que tem como função absorver os nutrientes e oxigênio presente das lágrimas, e proteger contra infecções. A exata mesma reação também foi capturada com o aerossol produzido pelos produtos de tabaco aquecido, conhecidos como PTA (são produtos de tabaco que requerem o uso de um dispositivo eletrônico para aquecer um bastão ou uma cápsula de tabaco comprimido, essa cápsula é aquecida a uma temperatura suficientemente alta para produzir um aerossol inalável, mas a temperatura fica abaixo da necessária para combustão total).
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores cultivaram em laboratório culturas de células do epitélio da córnea humana, e expuseram parte delas a um extrato da fumaça do cigarro e do aerossol do PTA, que continham a maioria dos ingredientes inalados pelos fumantes. Após 24 horas, o número de células mortas nas culturas expostas à fumaça e aos aerossóis foi maior do que em comparação àquelas que não interagiram com as substâncias.
Ao entrar em contato com os componentes do cigarro, a ferritina dentro das células oculares se decompõe, liberando o ferro armazenado. O acúmulo deste, por consequência, prejudica as próprias células.
Embora os resultados sejam importantes, os próprios autores destacam que mais estudos são necessários, principalmente em seres humanos, para confirmar os achados.