Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), 1º de outubro é o Dia Internacional do Idoso, grupo que tende a aumentar cada vez mais no Brasil. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2012 o país tinha 21 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, e a probabilidade é que esse número alcance 32 milhões de pessoas em 2025. De acordo com Organização Mundial da Saúde (OMS), a expectativa de vida também tende a crescer, devendo chegar a 80 anos em 2041.
No entanto, quando falamos em viver mais é preciso pensar em saúde. Manter a autonomia e independência na terceira idade, como vestir, alimentar, locomover, cuidar do próprio dinheiro e realizar compras sozinho, são alguns dos fatores importantes para envelhecer com qualidade de vida e bem-estar. Mas para isso, é preciso adotar medidas preventivas e cuidar de um bem importante: a visão, já que as três maiores causas de cegueira no mundo são doenças que acometem, sobretudo, os idosos, como catarata, glaucoma e degeneração macular relacionada à idade (DMRI). "Muitas enfermidades relacionadas à saúde ocular, como glaucoma e DMRI podem ser tratáveis quando diagnosticadas no início, mas também podem se tornar um quadro irreversível se isso acontecer em estágio avançado", explica o oftalmologista Canrobert Oliveira, chefe do Departamento de Refrativa e presidente do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB).
Definida como qualquer opacificação do cristalino que atrapalhe a entrada de luz nos olhos e diminuição da visão, a catarata pode levar desde pequenas distorções visuais até a cegueira. "Suas causas englobam diversos fatores, estando associada à nutrição, diabetes, infecções, traumatismos, envelhecimento entre outros. E a medida que a expectativa de vida da população aumenta, a probabilidade de desenvolver a catarata é maior", explica Canrobert. Estima-se que no Brasil existam aproximadamente 350.000 cegos por catarata e que haja cerca de 120.000 novos casos por ano.
Já em relação à DMRI, 19 a 30% da população acima de 75 anos são afetados em alguma extensão pela doença. "A expectativa é que o número de casos dobre nos próximos 20 anos, justamente em virtude do envelhecimento populacional", ressalta o médico. Calcula-se que aproximadamente três milhões de brasileiros acima de 65 anos sofram da doença, que pode aparecer de duas formas: seca ou atrófica (mais frequente) e úmida ou exsudativa (mais grave). "Atualmente, a doença não tem cura. O que pode ser feito é apenas minimizar as suas seqüelas, desde que o paciente seja diagnosticado em estágio inicial da doença. Ou seja, a prevenção é sempre o melhor caminho. E adotar medidas, como uso correto de óculos escuros, boa alimentação e visitas periódicas ao oftalmologista contribuem para um envelhecimento com mais qualidade", conclui o dr. Canrobert.