A
OMS (Organização Mundial da Saúde) coloca o Brasil entre os países com menor orçamento para a saúde. Como
se não bastasse o baixo orçamento, parte da população acredita que as vacinas
podem fazer mal à saúde. Prova disso é o surto de sarampo no Brasil. depois do
país ter eliminado o vírus em 2016.
"As
piores sequelas da doença acontecem na visão de crianças, especialmente quando
o vírus é transmitido ao feto durante a gravidez, através da placenta", alerta
o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier. Isso porque,
o bebê nasce com catarata congênita, doença que responde por 4 em cada 10 casos
de perda da visão na infância.
Por
isso, ressalta, mulheres em idade fértil
que nunca tiveram sarampo ou que não sabem se foram imunizadas nos primeiros
anos de vida e adultos que não tomaram a vacina devem procurar pela imunização
e tomar as duas doses de vacina no intervalo de um mês. Quem já passou dos 50 anos não precisa ser
vacinado porque a maioria das pessoas nesta faixa etária já teve sarampo e por
isso é imune à doença.
Sequelas
da catarata congênita
O médico explica que entre crianças ou
idosos as características da catarata são idênticas: o cristalino do olho fica
opaco e impede que as imagens cheguem à retina, levando à cegueira se não for
tratada.
A diferença é que no caso da catarata
congênita a visão está em desenvolvimento. Por isso a falta de diagnóstico logo
no início da vida pode acarretar outras doenças. Uma delas é a ambliopia ou
olho preguiçoso que acontece quando só um olho é atingido pela catarata. "O
esforço visual para enxergar com o olho de melhor visão anula o desenvolvimento
do outro", afirma. Outras alterações na
visão que podem ser causadas catarata congênita são: nistagmo (movimentos não
coordenados dos olhos), estrabismo (desalinhamento dos olhos), fotofobia
(aversão à luz) e dificuldade de fixação do olhos.
Diagnóstico
Queiroz Neto afirma que o diagnóstico
da catarata congênita é feito através de um exame barato e indolor. Trata-se do
teste do olhinho, que deve ser realizado logo que o bebê. O problema é que não
é obrigatório em todo país e uma projeto de lei que tramitava no senado pela
obrigatoriedade foi arquivado este ano. Por isso, a recomendação aos pais é
checar se o recém-nascido passou pelo exame na maternidade, independente do
estado em que foi realizado o parto. O oftalmologista explica que o exame
é feito com um oftalmoscópio, espécie de
lanterna com a qual o médico joga luz sobre o olho do bebê. Quando a luz emite
um reflexo vermelho contínuo significa que o olho é saudável. Se o reflexo for
descontínuo ou não for emitido indica catarata congênita.
Tratamento
"A única forma de tratar a catarata
congênita é a cirurgia com implante de uma lente intraocular que substitui o
cristalino opaco também é indicada no tratamento da catarata infantil" explica.
O procedimento, comenta, deve ser só feito quando o bebê completa três meses.
Isso porque, proporciona melhor recuperação da função visual e pode induzir ao
glaucoma se for realizado antes .
"Após a cirurgia, o comprometimento dos
pais é essencial para que a criança tenha boa visão", alerta. Isso porque, é necessário estimular o
desenvolvimento da visão e ter acompanhamento com um oftalmologista a cada 3
meses após a cirurgia.
Lesão
na córnea
"O sarampo contraído antes de tomar a
primeira dose da vacina pode causar lesões na córnea e em alguns casos requer
transplante para garantir a recuperação da visão", alerta. A dica do médico
para evitar sequelas mais graves nos bebês é manter atenção sobre os sintomas
típicos do sarampo: manchas brancas na mucosa da boca, febre, tosse, coriza,
febre alta e manchas vermelhas no rosto, atrás da orelha e depois no tronco.
Bebês com estes sintomas devem ter acompanhamento de um oftalmologista,
salienta.
Prevenção
entre gestantes
O único remédio para sarampo é a
vacina. As dicas do oftalmologista para gestantes se protegerem da doença
durante a gravides são:
* Lavar as mãos com
frequência com água e sabão, ou então utilizar álcool em gel.
* Não compartilhar
copos, talheres e alimentos.
*
Procurar não levar as
mãos à boca ou aos olhos.
* Sempre que possível
evitar aglomerações ou locais pouco arejados.
*
Manter os ambientes
frequentados, sempre limpos e ventilados.
* Evitar contato
próximo com pessoas doentes.
*
Proteger a boca e o
nariz quando espirrar ou tossir.