O especialista afirma que podem
sinalizar conjuntivite, alergia, olho seco ou ceratite. "Cada uma dessas alterações
tem tratamento específico, mas nos meses mais quentes do ano 4 em cada 10
pacientes já chegam aos consultórios usando colírio por conta própria e por
isso colocam a visão em risco", alerta.
Conjuntivite
A água do mar e das piscinas são os
maiores vilões entre crianças porque elas costumam abrir os olhos debaixo
d'água. "No mar este hábito facilita a contaminação por micro-organismos",
afirma. Isso porque, o sal aumenta a perda da lágrima que protege a superfície
do olho e fica suspensa na superfície pela córnea, membrana bem fininha de 5
milésimos de milímetros. Já nas piscinas, ressalta, não é só o cloro que deixa os olhos
vermelhos. Até as mais bem tratadas contêm bactérias que causam conjuntivite
porque geralmente estão cheias de urina, muco de nariz, suor, maquiagem e
protetor solar.
O oftalmologista afirma que o excesso
de filtro solar ao redor dos olhos somado ao suor facilita a penetração nos
olhos de crianças e adultos. Resultado: O verão também aumenta os casos de
conjuntivite tóxica, uma reação alérgica pelo contato da mucosa ocular com as
substâncias do protetor.
Tratamentos
Queiroz Neto afirma que a secreção
varia conforme o tipo de conjuntivite."Na bacteriana é purulenta e ao primeiro
sinal devem ser aplicadas compressas mornas mais colírio antibiótico, orienta.
"Na viral a secreção é viscosa e deve ser tratada com compressas frias
associadas a colírio antiinflamatório não hormonal nos casos mais leves ou
corticóide nos mais severos", pontua. Já na conjuntivite tóxica ou alérgica, o
oftalmologista afirma que a secreção é aquosa e as compressas frias aliviam o
desconforto. Os casos de irritação ocular leve podem ser tratados com colírio
adstringente e os mais severos com colírio antialérgico ou corticoide, conforme
a avaliação do oftalmologista.
O especialista ressalta que só é
exigida receita médica na compra de colírio antibiótico, mas adverte que a
interrupção abrupta do uso de corticóide pode causar efeito rebote, ou seja,
agravar a inflamação. Já a aplicação prolongada pode induzir à catarata e ao
glaucoma. "O uso indiscriminado de colírio adstringente predispõe ao olho
vermelho crônico", adverte.
Olho
seco e ceratite
O oftalmologista afirma que no verão
os maiores vilões entre adultos são: dormir com lente de contato, abusar do ar
condicionado e viagens aéreas longas. Isso porque, estas três variáveis
ressecam a lágrima e podem tornar a oxigenação da córnea insuficiente.
A córnea, explica, é uma espécie de lente natural fixa na frente
do olho que foca a luz e protege o olho, absorvendo o oxigênio diretamente do
ar, não da corrente sanguínea como as demais estruturas do nosso corpo. A má
oxigenação predispõe à inflamação ou ceratite, contaminação por bactérias e à formação de úlceras que podem cegar. A
produção da lágrima é menor à noite. Por isso, para manter a integridade da
córnea Queiroz Neto recomenda nunca
dormir com lentes de contato mesmo as indicadas para uso noturno. Outras
recomendações do médico são não exagerar na exposição ao ar condicionado e
retirar as lentes de contato antes do embarque nas viagens aéreas com mais de
três horas de voo, já que o ar é mais rarefeito nas cabines, e instilar lágrima artificial durante a
viagem.
Para garantir a boa lubrificação dos
olhos a principal recomendação dietética do especialista são as fontes de ômega
3, presente na semente de linhaça, nozes, sardinha, salmão e bacalhau. Os casos
mais severos de olho seco, ressalta, têm respondido muito bem às aplicações de
luz pulsada que evitam a evaporação da lágrima estimulando a produção da camada
oleosa. Geralmente em 3 sessões a produção lacrimal volta ao normal, conclui.