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Curadoria é o Novo Luxo: O Olhar que Está Redefinindo as Prateleiras das Ópticas

SerjãOÓptico

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O mercado óptico mundial nunca foi tão empolgante e ao mesmo tempo tão desafiador. A cada temporada, a gente deixa de falar só de armações e passa a entender pessoas, culturas, materiais, edições raras, histórias e principalmente de curadoria. Porque, convenhamos: com tanta informação e produto circulando no mundo, quem faz a diferença não é quem tem mais óculos na prateleira, mas quem sabe escolher os óculos certos.

E é exatamente esse olhar afiado e experiente que conecta as duas pessoas que estão comigo hoje: Paulo DeLaurentis, da Bless Optical, e Mauro Miranda, da Bright Eyes. Dois caras que respiram o varejo premium e o lifestyle óptico, mas cada um à sua maneira. O que nos une aqui não é só falar do que está bombando no mundo eyewear, mas entender o que merece estar na prateleira da óptica brasileira, com identidade, exclusividade e propósito.

Hoje a conversa vai fundo. Não sobre volume, mas sobre edição. Não só sobre tendência, mas também sobre legado. E no final, a gente quer responder o que todo lojista e amante do eyewear está se perguntando: para onde o mundo está olhando e onde a gente não pode deixar de ver junto.

Vamos começar primeiro com o Paulinho, que vai antes, contar um pouco do início da sua trajetória no segmento.

Paulo De Laurentis: Minha trajetória no segmento óptico começou em 1985 logo após eu ter terminado o segundo grau da época do ensino médio de hoje, meu saudoso e querido pai não me deu chance de ficar parado, logo me colocou para trabalhar.

Em 1987 é fundada a De Laurentis, a primeira empresa de acessórios ópticos do Brasil, a De Laurentis foi a pioneira em introduzir as tais correntinhas e cordões para óculos num patamar mais elevado, antigamente era um produto onde as ópticas compravam apenas para dar de brinde para os clientes, nós introduzimos a mentalidade de que as ópticas poderiam aumentar o ticket médio de suas vendas através desses acessórios, também fomos os pioneiros no Brasil em trazer para o mercado óptico nacional o primeiro limpa lentes, o qual na época importamos do Canadá, logo em seguida criamos a nossa própria fórmula, a qual hoje é puro  sucesso, um best seller, na década de 90 nós nos tornamos também importadores e distribuidores de algumas marcas de óculos e armações que vinham da Itália, França e Japão, também na década de 90 arrendamos uma fábrica de armações em Manaus onde fazíamos a nossa linha de armações em acetato, um bom tempo depois começamos com a customização de microfibras, até chegar em produtos de vestuário e mobiliário.

Hoje somos a De Laurentis desde 1987 e a Bless Optical desde 2007.

SerjãOÓptico - O mercado óptico mundial está mais veloz que nunca. Na sua visão , o que está realmente ditando o ritmo hoje: tecnologia, comportamento do consumidor ou a força das marcas independentes?  
Paulo De Laurentis - Se as marcas independentes estão mais fortes ou estão ficando mais fortes, deve-se a mudança de comportamento dos consumidores, onde estes mais antenados e com personalidade independente propriamente dito, não querem ficar com a feição igual a todo mundo, porém eu ainda penso que essa força está aquém do que mereça estar e a tecnologia sim ajuda muito nesse crescimento.
 
SerjãOÓptico - Curadoria virou diferencial competitivo. Como uma ótica consegue equilibrar desejo do cliente, rentabilidade e um portfólio de armações que carregue identidade e exclusividade?
Paulo De Laurentis - É uma condição que leva tempo para ser construída, nessa caminhada tem muito investimento, tempo despendido, muita observação, muita pesquisa, erros e acertos e o primordial, colocar amor no que você está fazendo.

SerjãOÓptico - Paulo, a Bless trabalha muito com produtos exclusivos, conceito de experiência e lifestyle. Como esses pilares se conectam com o novo varejo óptico global?
Paulo De Laurentis - O Mundo ficou bem pequeno com o advento da internet, portanto o empresário ou o lojista que não trabalhar com afinco seja no B2B ou B2C tende a cair na vala comum e se você de alguma forma não se destacar nesse Mundo global, não terá como chamar a atenção.

SerjãOÓptico - Quando falamos em tendências eyewear, quais movimentos você acredita que não são modinhas, mas sim marcos de um novo comportamento que veio pra ficar?
Paulo De Laurentis - Creio que a resposta para isso seja até mais simples do que pareça, creio eu que o produto autoral, bem elaborado, exclusivo e que visa ser funcional e belo, esse produto se tornará o produto desejado.

SerjãOÓptico - Marcas exclusivas exigem curadoria - não dá pra comprar óculos só pelo catálogo, tem que ter olhar. O que vocês observam primeiro ao selecionar uma coleção: autenticidade do design, construção da peça ou o potencial de colecionismo da marca?
Paulo De Laurentis - Sim, precisa ser autêntica, quando percebemos que em alguma coleção tem uma "puxada" de cópia a gente já descarta na hora, observamos também nas peças que além de belas e bem construídas estas tenham a capacidade de colocação de dioptrias altas, a técnica das peças tem que ser observadas com muito cuidado, ângulo pantoscópico, distância vértice, adaptação na nasal, tamanho das hastes e tantas outras observações que o tempo vai te lapidando.

E para finalizar complete e frase:

Vejo logo falo:
Óculos são: Uma das maiores invenções do homem.
Na minha visão: Sem os óculos e óbvio sem as lentes nossa sociedade não avançaria.
O olhar de estar sempre atento: Se deve a termos os sentidos em ordem e a visão é um deles.
A Ótica do futuro vai: Crescer e nunca acabar pelo fato de sempre estar ajudando um dos sentidos mais importantes, a visão.
Pelas minhas lentes vejo: Futuro próspero para quem lidar com a óptica com empatia, óptica não é só negócio é saúde.

Agora nosso papo segue com Mauro, mais conhecido como Maurinho, que fala como iniciou no segmento óptico e principalmente nas marcas independentes.

Mauro Miranda: Iniciei nos anos 90 através do meu pai, que me apresentou o universo das marcas independentes! Na Mido de 1993 conheci uma marca nipo-americana chamada Kata que desenvolvia um trabalho incrível de incrustação de inspiração da Natureza nas armações! Era uma verdadeira obra de arte! E assim como eu ele também estava iniciando o trabalho e crescendo juntos foi a descoberta de um universo novo e incrível! Depois disso nunca mais tirei os olhos  do nicho de marcas independentes!

SerjãOÓptico - O cliente de armações premium começa a buscar história, não só estética. Como o storytelling influencia a decisão de compra no segmento global de óculos hoje?
Mauro Miranda - Quem busca armações de design quer mais do que apenas um nome na haste! Ele busca identificação! Busca expressar a sua personalidade e seu estilo de vida! Cada marca de design é única e transmite uma identidade individual que se harmoniza com determinados Lifestyles.

SerjãOÓptico - A tríade design, artesania e edição limitada está dominando o topo do mercado. Isso fortalece mais a óptica física que sabe fazer curadoria ou a marca que sabe criar desejo?
Mauro Miranda - A combinação desses três fatores fortalece ambos os lados! A loja física tem que ter a sensibilidade de trazer algo único e exclusivo para o cliente! E para a marca que fidelize e customize a sua relação com o usuário final.

SerjãOÓptico - Com tanto produto disponível no mundo, a pergunta que vale é: o que a gente deixa de fora da prateleira? Como vocês definem o "não entra" no mix de armações?
Mauro Miranda - Realmente a oferta de produtos é maior do que a demanda de clientes! O preço é um fator decisivo na escolha do produto, mas sabendo apresentar os benefícios que produtos de qualidade juntamente com o design agrega valores que resistem ao tempo! O que não pode entrar nesse mix são: cópias e produtos descartáveis.

SerjãOÓptico - A indústria global está flertando com sustentabilidade e inovação de materiais. Como isso impacta a curadoria quando o público-alvo é exigente e busca exclusividade sem abrir mão de propósito?
Mauro Miranda - Com certeza a sustentabilidade é um assunto que tem tomado um espaço maior na hora da decisão! O público tem se tornado mais consciente e o tempo irá nos mostrar que essa visão vanguardista se tornará indispensável para as empresas na hora de pensar em desenvolver as suas marcas.

SerjãOÓptico - Pra fechar com a visão de lunetier e varejo: qual é o papel do curador óptico no futuro do mercado mundial de óculos? O que muda, e o que nunca pode se perder?
Mauro Miranda -
A visão deste novo profissional é de vital importância para o crescimento do nicho de marcas independentes! Imperativo que o profissional estude pesquise e se profissionalize visitando feiras seguindo tendências e através das redes sociais também pode buscar mais conhecimentos, pois hoje as marcas têm um acesso mais amplo e direto para com o consumidor! O que não se deve perder é um olhar à frente do tempo, visto que as marcas independentes não seguem tendências mas lançam ideias que provavelmente o mercado fecha sionista acabará por absorver no futuro.

E agora, complete a frase:

Vejo logo falo:

Óculos são: a expressão da nossa personalidade! Ele tem o poder de expressar nossos sentimentos e  nosso mood do dia.
Na minha visão: trocar de óculos assim como trocamos de roupa diariamente fará parte do nosso cotidiano para expressar nosso momento atual! Será um acessório acima de um remédio para corrigir uma necessidade visual.
O olhar de estar sempre atento: à inovação e ao futuro.
A Ótica do futuro vai: ser mais do que uma farmácia para os olhos ! Será um local de transformação! Usar óculos pode ser a cirurgia plástica mais barata que existe e pode ser a melhor terapia para auto estima das pessoas.
Pelas minhas lentes vejo: que as ondas irão passar mas o que fica é somente aquilo que se tornou sólido e com propósito para mudar a vida do consumidor.

SerjãOÓptico
Especialista em tendências eyewear

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