Em meio às pedras, tinha um caminho. Na visão do poeta, "na vida de suas retinas tão fatigadas" ele enxergou as pedras como os problemas enfrentados ao longo da vida. Porém, aos olhos desta outra mineira, a designer Jéssica Garcia, as pedras sempre foram bem-vindas, colecionadas e usadas para pavimentar um caminho de inspiração e criatividade. Observadora e com um olhar encantado para a vida, principalmente para as pessoas, a proprietária da Detelle Jóias, a partir do seu amor pelas opalas, turmalinas, esmeraldas colombianas, vem desenvolvendo acessórios preciosos. E no seu acervo personalizado, ela resgata o valor afetivo, apaixonante e humanizado de cada peça. Para além de um adorno, enfeite ou sinônimo de luxo e riqueza, está a história que cada peça pode contar. E o olhar reluzente da designer de jóias, agora também está voltado para os óculos.
E sabe o que é mais interessante disso? É que, de certa forma, óculos para muitas pessoas, podem também ser encarados como "pedras no caminho". Como obstáculos da beleza e da estética. Mas, o que poucos sabem, é que quando surgiram, os óculos eram usados apenas como adornos. Não tinham nenhuma função medicinal. Os primeiros registros sobre usar óculos são de 500 a.C. O filósofo chinês Confúcio registrou que, originalmente, usar óculos era apenas para enfeitar. O acessório também servia como forma de distinção social. Ou seja, quanto mais rica e poderosa era a pessoa, mais ela usava óculos. Naquela época, o uso era só estético mesmo. Os óculos não tinham grau. Por isso, não serviam para corrigir a visão.
Portanto, jóias e óculos têm muito em comum, há muito tempo.
Mas como foi que a Jéssica descobriu isso?
Como dissemos, para toda peça criada por ela, existe uma história para ser contada.
Um dia, falando para um cliente sobre o conhecimento que tinha sobre pedras e jóias, e de todas as etapas que envolvem o processo de criação das peças. Na ocasião, ele confessou que gostaria de ter uma joia, mas como não usava anéis, pulseiras ou cordões, a única alternativa possível para ele seria transformar os seus óculos em joias.
E foi assim que nasceu o seu primeiro projeto de óculos preciosos e únicos, feitos sob medida, com atenção aos mínimos detalhes e para se encaixarem perfeitamente no olhar do seu cliente super especial e criterioso.
Foram mais de seis horas de reunião para falar de cada detalhe e alinhar expectativas. O projeto que, quase não teve croqui, foi desenvolvido em 3D pela preocupação com a utilidade e resistência, além da beleza e estética. Isto porque, a maleabilidade do material utilizado, o ouro negro, dificultou um pouco o processo de produção. Foram sete meses desde a primeira reunião, até a conclusão dos óculos de ouro.
"A inspiração para o desenho da armação, nasceu das conversas com o cliente. Nestes momentos entendemos os caminhos a serem alcançados com a peça. O mestre Steve Jobs e Céos, o titã das visões na mitologia grega, foram referências passadas pelo cliente para inspirar as formas minimalistas que representam inteligência e fluidez no pensamento." conta Jéssica.
Mas, foi justamente o minimalismo e a fluidez almejados que trouxeram mais complexidade ao processo de produção, já que os óculos não poderiam ter nenhuma solda. E depois de várias tentativas surgem os primeiros óculos de ouro criados pela designer de jóias.
Durante este tempo, tanto Jéssica, quanto o cliente, perceberam que os óculos podem ser jóias preciosas sim, por vezes, mais valiosas que um anel, colar ou brinco, porque, ao contrário das jóias clássicas, que são partes complementares e adicionais a partes do corpo, os óculos acabam por ser incorporados ao rosto da pessoa, modificando a sua fisionomia.
ATENÇÃO AOS DETALHES
Pensando nisso, Jéssica fez o seu trabalho de forma ainda mais minuciosa. E, além do envolvimento total do cliente durante todo o processo, os óculos tiveram que ser feitos não a quatro, mas a seis mãos. "Por ser uma peça em ouro, mais maleável, a instalação de um parafuso para fixar as lentes não resistiria e perderia a rosca com o tempo, por isso, este foi o único ítem da armação que não é feito em ouro, apenas banhado". E foi aí que entrou em cena o profissional óptico, responsável pela escolha e instalação das lentes.
O CAMINHO DAS PEDRAS.
Mesmo com o desejo inicial de trabalhar com arte, música, dança e cinema, aos 18 anos, a jovem observadora acabou optando pelos cursos de Direito e de Relações Internacionais.
Mas a menina Jéssica tinha uma paixão: colecionar pedras brutas. "Eu me lembro que desde os 10 anos tenho esta paixão por pedras. As primeiras pedras que me fizeram brilhar os olhos faziam parte de uma coleção que a minha avó tinha em casa", relembra.
Há 4 anos, após conhecer uma designer, Jéssica viu a possibilidade de transformar a sua paixão em profissão, trazendo de volta as pedras e a arte para sua vida. E assim ela fez. Largou tudo e fez uma imersão em cursos de ourivesaria, fundição, cravação, prototipagem e gemologia. E para uma mudança tão radical de atuação, ela estudou e pesquisou muito até identificar o seu nicho em um mercado tão competitivo e cheio de talentos. E como não poderia deixar de ser, a escolha passou pelo conhecimento sobre pedras.
Jéssica traz para o mercado uma proposta para atender clientes que valorizam a criatividade, que optam por peças exclusivas e autorais, cheias de personalidade. Pessoas que têm sensibilidade e buscam significado por trás das coisas. Entendem que uma jóia pode e deve contar a história de quem as tem. "Quero poder resgatar o conceito das "jóias de família" aquelas que carregam sentimentos, eternizam momentos e tem valor afetivo." ressalta Jéssica.
Ela se define como proprietária de um negócio H2H (Human to Human). Ou seja, com uma abordagem centrada no ser humano, focado em atender às necessidades individuais de cada cliente. Neste sentido, Jéssica deseja produzir mais óculos-jóias e, para isso, vai se especializar ainda mais para atender as demandas para este mercado super exclusivo.
E para começar essa nova história, a designer já tem em mente ideias para óculos em ouro mais trabalhados, com aros bem desenhados, e muito mais.
E assim a designer e empresária Jéssica Garcia continua não só encontrando e colecionando as pedras pelo caminho. Ela segue, sim, construindo e trilhando o caminho das pedras.